O requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Banco Master chegou a 200 assinaturas confirmadas de deputados, 29 a mais que o mínimo necessário, mas continua aguardando despacho do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), mais de oito meses depois de ser apresentado.
De autoria do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), o RCP 1/2026 foi protocolado em 2 de fevereiro.
A proposta pretende investigar fraudes financeiras ocorridas na relação entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
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O relatório de conferência de assinaturas da própria Câmara registra 200 apoios confirmados. A Constituição exige o apoio de um terço dos 513 deputados, o equivalente a 171 parlamentares, para a criação de uma CPI na Casa.
Apesar de o número mínimo ter sido superado, a situação oficial do requerimento permanece como “Aguardando Despacho do Presidente da Câmara dos Deputados”.
Depois da apresentação da CPI, outros parlamentares solicitaram a inclusão de suas assinaturas.
Em julho, a Mesa da Câmara indeferiu três desses pedidos, apresentados pelos deputados Capitão Alberto Neto (PL-AM), Ricardo Ayres (Republicanos-TO) e Beto Preto (PSD-PR).
Os indeferimentos não alteraram, contudo, o número de 200 assinaturas já confirmadas no requerimento.
Motta alegou existência de fila de CPIs
Em fevereiro, Motta afirmou que os pedidos de criação de CPIs seriam analisados conforme a ordem cronológica de apresentação.
“Nós temos aqui uma fila de CPIs. Essas CPIs são tratadas na ordem cronológica”, afirmou o presidente da Câmara, à época.
Motta também mencionou a regra da Câmara que limita a cinco o número de CPIs em funcionamento simultaneamente. Segundo ele, a Presidência teria de observar tanto esse limite quanto os requerimentos apresentados anteriormente.
Rollemberg contestou a demora e levou o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em março, o deputado acionou a Corte sob a alegação de omissão da Presidência da Câmara e tentou obter uma decisão que determinasse o avanço da comissão.
O ministro Cristiano Zanin rejeitou o pedido. Na decisão, considerou que os elementos apresentados não eram suficientes para demonstrar a alegada omissão de Motta. Rollemberg anunciou que recorreria da decisão.
Mesmo depois da disputa no Supremo, o requerimento da CPI permaneceu sem despacho. Na página oficial da Câmara, não há despacho registrado sobre a criação da comissão.
Outra proposta sobre o Master também aguarda Motta
A CPI não é a única iniciativa relacionada ao Banco Master que permanece na Presidência da Câmara.
A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) apresentou, em 4 de agosto, a PFC 24/2026, que propõe uma fiscalização sobre a atuação de órgãos e entidades federais diante dos fatos envolvendo o Banco Master, o Banco Pleno e estruturas relacionadas.
A proposta prevê que a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara realize o trabalho com auxílio do Tribunal de Contas da União (TCU).
Entre os pontos previstos estão a supervisão bancária, a exposição de recursos públicos, a coordenação entre órgãos federais, a governança e a integridade pública.
O último andamento ocorreu em 12 de agosto. Na ocasião, a Mesa recebeu um ofício da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle solicitando providências para numerar e publicar a proposta.
Dois meses depois, a situação registrada pela Câmara também permanece como “Aguardando Despacho do Presidente da Câmara dos Deputados”.
Assim, tanto a CPI de Rollemberg, apresentada em fevereiro e apoiada por 200 deputados, quanto a proposta de fiscalização de Adriana Ventura continuam dependendo de despacho da Presidência da Câmara para avançar.
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O post CPI do Master tem 200 assinaturas, mas segue sem despacho de Motta há 8 meses apareceu primeiro em Revista Oeste.