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Conexões globais em risco

Conexões globais em risco

Brasil Estado | 30/08/2026 às 20:15 | há 1 mês | 3 min de leitura

Você já parou para pensar em como a sua conexão de internet atravessa os oceanos? Longe dos olhos de todos, uma teia invisível de cabos submarinos e tubulações de energia repousa no fundo do mar, conectando continentes. Essas infraestruturas transportam quase a totalidade dos dados do planeta e garantem o funcionamento diário de bancos, redes elétricas e comunicações globais.

Nos últimos anos, uma onda de incidentes na Europa, no Atlântico Norte, na Ásia e no Pacífico acendeu o sinal de alerta entre os governos. Danos provocados por ação humana revelaram uma realidade clara: na era digital, quem controla esses fluxos invisíveis influencia o próprio funcionamento do mundo e o destino das nações. Assim, os cabos submarinos deixaram de ser meros equipamentos técnicos para se tornarem ativos estratégicos vitais da geopolítica mundial.

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Mapa de Taiwan | Foto: Reprodução

Nenhum lugar sente essa vulnerabilidade tão de perto quanto Taiwan. Por ser uma ilha, sua sociedade e sua economia dependem visceralmente dessas conexões para se integrar ao planeta. No início de 2025, o rompimento de cabos em nossa costa, envolvendo navios com vínculos chineses, evidenciou a gravidade desse perigo.

O episódio expôs o uso de danos à infraestrutura submarina como uma "tática de zona cinzenta": ações hostis que causam prejuízos intencionais sem acionar abertamente um confronto militar.

Uma pressão física que caminha ao lado de uma antiga pressão diplomática em que a China tenta alterar o status quo no Estreito de Taiwan e deturpa a Resolução 2758 da ONU para isolar a ilha. O risco, porém, afeta a todos: por ser um nó crucial das cadeias globais de suprimentos, qualquer interrupção nas conexões de Taiwan gera impactos sistêmicos na economia do planeta.

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Para enfrentar esses riscos, Taiwan agiu com rapidez e aprovou reformas legais para reforçar a fiscalização e a proteção dessas redes. Além disso, assumiu o protagonismo internacional: em outubro de 2025, no Fórum de Segurança de Cabos Submarinos Taiwan-Europa, apresentei a Iniciativa RISK (Iniciativa de Gestão de Riscos para Cabos Submarinos Internacionais), proposta que conquistou o apoio imediato de 42 parlamentares europeus.

A Iniciativa RISK fundamenta-se em quatro pilares interconectados. O primeiro é a redução de riscos, focada no aprimoramento da capacidade de emergência e do suporte transnacional. O segundo é o intercâmbio de informações, voltado à troca contínua de inteligência sobre ameaças e alertas precoces.

O terceiro promove a reforma sistêmica, revisando as regulamentações nacionais e internacionais frente a ameaças híbridas. Por fim, a construção de conhecimento foca na capacitação profissional e nos intercâmbios práticos entre equipes técnicas.

Para operacionalizar essa visão, Taiwan fomenta a cooperação em múltiplos níveis: político, administrativo e de inteligência. Em parceria sólida com EUA, Japão, Austrália e países europeus, busca integrar a segurança dos cabos à agenda democrática global, compartilhar informações sobre embarcações suspeitas, aplicar novas tecnologias de proteção e utilizar a Estrutura Global de Cooperação e Treinamento (GCTF).

Os cabos submarinos são bens públicos globais e linhas vitais para as sociedades democráticas. Taiwan está pronta para atuar como nó central da rede internacional de segurança, salvaguardando as artérias estratégicas que mantêm o mundo conectado.


Lin Chia-lung, ministro das Relações Exteriores de Taiwan

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