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Aquecimento global pode colapsar todos os recifes de coral de águas rasas do planeta 

Aquecimento global pode colapsar todos os recifes de coral de águas rasas do planeta 

Brasil Estado | 22/10/2026 às 23:30 | há 1 hora | 3 min de leitura

Um novo relatório sobre os efeitos das mudanças climáticas e do aquecimento dos oceanos nos sistemas de recifes de coral de águas rasas apresenta um cenário bastante preocupante. Segundo uma análise coordenada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), praticamente todos os ecossistemas desse tipo enfrentam risco “extremamente alto” de colapso nos próximos 50 anos, com 96% deles classificados como “criticamente ameaçados”.

A primeira Avaliação Global de Recifes de Coral no âmbito da Lista Vermelha de Ecossistemas da IUCN foi apresentada na 5ª feira (22/10) na COP17 da biodiversidade (CBD), em Yerevan, Armênia. A análise considera todos os recifes de coral em águas quentes e rasas, abrangendo 127 ecossistemas tropicais e subtropicais e englobando mais de 188 mil km² de recifes de coral em todo o mundo, uma área similar à do Uruguai.

De forma generalizada, os recifes de coral estão em situação crítica, inclusive os maiores e mais biodiversos ecossistemas do tipo no mundo, como a Grande Barreira de Corais na Austrália, o Triângulo de Coral no Pacífico Ocidental e no Sudeste Asiático, o Sistema de Recifes Mesoamericano e os recifes de coral do Mar Vermelho.

A principal ameaça é o estresse térmico causado pelas mudanças climáticas. O aquecimento dos oceanos e as ondas de calor marinhas, cada vez mais frequentes e intensas, estão causando eventos de branqueamento em massa, que levam à mortalidade generalizada dos corais. Na medida em que a temperatura média global ultrapassar 2°C, o limite-teto definido pelo Acordo de Paris, a perspectiva é de que as temperaturas marinhas continuem a aumentar, o que pode ser fatal para esses ecossistemas.

“Os recifes de coral são um dos indicadores vitais mais claros da saúde dos oceanos. Eles sustentam um quarto de todas as espécies marinhas e servem como um sistema de alerta precoce para o estado dos mares. Seu declínio está privando inúmeras espécies de alimento, abrigo e áreas de reprodução das quais dependem, ao mesmo tempo em que ameaça a segurança e os meios de subsistência das comunidades costeiras e prejudica setores econômicos essenciais, como a pesca, a aquicultura e o turismo costeiro”, alertou Grethel Aguilar, diretora-geral da IUCN.

Apesar da forte pressão, os ecossistemas de recifes de coral na maior parte do planeta ainda não estão perdidos. Considerando apenas as mudanças observadas nos últimos 50 anos e excluindo projeções futuras, o número de recifes de coral criticamente ameaçados cai para 24%. Isso significa que a maior parte deles ainda pode ser salva a partir da redução das emissões de gases de efeito estufa, combinada com medidas de conservação.

“Os recifes de coral demonstraram uma notável capacidade de recuperação após eventos devastadores de branqueamento. Bolsões de recifes de coral resilientes ainda podem existir no futuro, por isso devemos fazer tudo ao nosso alcance para garantir seu sucesso”, defendeu Mishal Gudka, diretora de pesquisa da CORDIO África Oriental, pesquisadora da Universidade de Melbourne (Austrália) e líder científica da avaliação global da IUCN.

Guardian, New Scientist, New York Times e Times of India repercutiram a análise.

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Este conteúdo é originalmente de climainfo.org. Para a reportagem completa, acesse:
https://climainfo.org.br/2026/10/22/aquecimento-global-pode-colapsar-todos-os-recifes-de-coral-de-aguas-rasas-do-planeta/

Fonte: climainfo.org · Por Ian Mello

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