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Voto em Roraima vale 85 vezes mais que em São Paulo

Voto em Roraima vale 85 vezes mais que em São Paulo

Brasil Estado | 04/10/2026 às 13:45 | há 1 semana | 3 min de leitura

Caso as regras não mudem, os votos para congressistas no Brasil se converterão em dinheiro no caixa dos partidos para as eleições de 2030 — como aconteceu com o resultado de 2022. Mas o valor não é uniforme, varia de acordo com a quantidade de parlamentares de cada Estado. Literalmente, nesse caso, menos significa mais. Quanto menor a população, menos parlamentares e eleitores mais valiosos.

Roraima é o Estado com o menor número de eleitores do Brasil. Sua bancada no Congresso tem o piso constitucional: 11 parlamentares, três no Senado e oito na Câmara. O voto em um senador roraimense vale cerca de R$ 34. Ao mesmo tempo, para o paulista é por volta de R$ 0,40. São Paulo tem 73 congressistas, 70 na Câmara e três no Senado.

Os valores são estimativas realizadas por Oeste com base nas regras para a divisão do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o Fundão, e o volume distribuído por meio dessa verba em 2026. Trata-se da principal fonte oficial de recursos para os partidos gastarem durante as eleições. Neste ano, foram praticamente R$ 5 bilhões — bancados pelo pagador de impostos.

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A legislação vigente determina que 2% do Fundão seja repartido integralmente entre todos os partidos. O restante é repartido segundo a bancada de cada legenda, mas por meio de três modalidades com critérios distintos. Apenas uma trata todos os votos com igual valor. Essa regra determina a distribuição segundo a quantidade de votos conquistada pela legenda na Câmara nas eleições anteriores para os partidos com parlamentares na Casa. Nas outras, a partilha ocorre conforme o tamanho da bancada: 15% pelo número de senadores, e 48% pelo de deputados federais.

No caso dos senadores, a quantidade de parlamentares é a mesma para cada Estado: 3. Por isso, o lugar com menos eleitores leva vantagem. É justamente o que acontece com Roraima, onde apenas 400 mil pessoas estão aptas a votar. Do outro lado, São Paulo tem o maior número (34 milhões) — 85 vezes mais, e o valor cresce na mesma proporção. Para a Câmara, a disparidade é menor porque a quantidade de parlamentares por Estado não é tão desproporcional.

Os Estados e o Distrito Federal têm o mesmo número de senadores — isso acontece porque todos têm igual relevância diante da União. Ainda assim, na prática, há muitas diferenças de um lugar para o outro. Entre elas, o tamanho da população, justamente o que os deputados federais representam. Entretanto, a Constituição de 1988 determina limites para a diferença ser expressa na Câmara: o teto de 70 parlamentares, e o piso de 8. Cada deputado de São Paulo corresponde a 500 mil eleitores, enquanto são 50 mil apenas em Roraima. O roraimense tem quase 10 vezes mais representação que o paulista, e essa distorção migrou para a distribuição do Fundão. Em 2026, são três votos no Congresso: um para deputado e dois para senadores. A votação de um eleitor no menor Estado do país pode gerar em torno de R$ 170 para o mesmo partido. A do maior, pouco mais de R$ 20.

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