O banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, admitiu à Polícia Federal (PF) que mantinha pessoas encarregadas de levantar informações para ele. A declaração foi dada na oitiva de 28 de agosto, por videoconferência a partir do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, quando o delegado o confrontou com uma anotação extraída de seu celular com nomes de delegados da PF e de membros do Ministério Público (MP).
"Eu tinha realmente pessoas que levantavam informações para mim, que eu pedia informações", disse o banqueiro.
A anotação é de outubro de 2025, cerca de um mês antes da liquidação do Banco Master e da prisão de Vorcaro, em 17 de novembro. Questionado sobre quem lhe passou os nomes, ele respondeu que não se recorda e que foi anotando os dados aos poucos, à medida que descobria quem conduzia as apurações.
Leia também: "Vorcaro soube de juiz e equipe de investigadores antes de operação, diz a PF"
O delegado afirmou na oitiva que os nomes anotados correspondem exatamente aos dos investigadores que participaram, a partir de outubro de 2025, de reuniões no Banco Central sobre inquéritos em andamento. Das mesmas reuniões participaram o ex-chefe de supervisão Belline Santana e o ex-diretor Paulo Sérgio Neves de Sousa, ambos investigados.
Perguntado de forma direta se os dois lhe repassaram informações sobre esses encontros, Vorcaro disse não se recordar.
Na mesma oitiva, como Oeste mostrou, o banqueiro identificou como o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o "G" citado em anotação de 30 de outubro de 2025, na qual escreve que as informações vinham de "pessoas de dentro do Bacen".
Leia também: "Vídeos: delegado mostra a Vorcaro mensagens para Moraes e pergunta quem são 'G', 'Andrei' e 'Paulo'"
Neste ponto, o advogado Daniel Leon Bialski interrompeu a oitiva para registrar que o cliente só trataria de fatos relacionados a determinadas pessoas em um eventual novo acordo de colaboração. O delegado respondeu que Vorcaro havia sido advertido do direito ao silêncio no início do ato.
O banqueiro afirmou que buscava as autoridades por iniciativa própria para se antecipar às investigações sobre a fusão com o Banco de Brasília (BRB). Disse que seu objetivo era explicar o negócio antes que as apurações avançassem "sem o outro lado".
Leia também: "Vorcaro atribui fracasso de delação a chefe da PF"
O post Vorcaro admite que tinha ‘pessoas que levantavam informações’ para ele apareceu primeiro em Revista Oeste.