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Flávio Bolsonaro propôs fim de proteção à área onde Jair foi multado por pesca ilegal

Flávio Bolsonaro propôs fim de proteção à área onde Jair foi multado por pesca ilegal

Brasil Estado | 15/10/2026 às 00:00 | há 3 horas | 4 min de leitura

O negacionismo climático e o desprezo pelo meio ambiente do candidato do PL à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro, não são novidade. Mas, para se eleger, Flávio promete até “desmatamento ilegal zero” até 2029 — obviamente, sem explicar como, nem onde (ou será que, como especula Claudio Angelo no vídeo do Observatório do Clima, o desmatamento ilegal zero viria da extinção da reserva legal já proposta pelo candidato, o que tornaria qualquer desmatamento legal?). No entanto, com um Congresso eleito majoritariamente contrário ao clima, ao meio ambiente e aos Direitos Indígenas e Quilombolas, não há dúvidas sobre o que nos espera, caso ele seja eleito.

Essa certeza trágica pode ser verificada nos 12 projetos que esbarram na esfera ambiental e foram assinados por Flávio Bolsonaro desde 2019, quando se elegeu senador, lista a Folha. Desses, ao menos nove são considerados diretamente prejudiciais ao meio ambiente, à preservação dos biomas e aos direitos dos Povos Originários por ambientalistas e especialistas do setor, destaca o Brasil 247.

Um dos projetos com o aval de Flávio é o que propõe reduzir a área da Estação Ecológica de Tamoios, em Angra dos Reis (RJ). Em 25 de janeiro de 2012, o IBAMA autuou o pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, por pescar dentro da estação, o que é proibido por lei. O projeto de Flávio designa a região como de interesse turístico, o que, na prática, liberaria a pesca.

Como o Revelando mostra, Flávio Bolsonaro tem amigos com interesses imobiliários significativos na região de Angra dos Reis e em outros pontos do litoral brasileiro. Não à toa, o senador é relator da PEC da Privatização das Praias. Entre os beneficiários da medida está o empresário Renato Araújo, dono do empreendimento de luxo Bellavista Portogalo Empreendimentos, um condomínio com dezenas de mansões e uma marina em Angra.

Flávio Bolsonaro também defende o marco temporal para a demarcação de Terras Indígenas — demarcação que ele, assim como seu pai, já disse que não fará. Aliás, o candidato do PL à Presidência ainda assina o projeto que tira do Poder Executivo a prerrogativa de homologar TIs e a transfere ao Congresso.

Outra proposta apoiada por Flávio e mencionada acima prevê a extinção das reservas legais no país. O projeto pretendia eliminar a obrigatoriedade de manter vegetação nativa em propriedades rurais privadas, o que é crucial para conter o avanço do desmate. A proposta foi arquivada. Mas se Flávio ganhar, com o Congresso nas mãos, o desarquivamento e a aprovação serão questão de (pouco) tempo.

Com tanto aval para a destruição, o Observatório do Clima chama a atenção para o fato de o programa de governo de Flávio Bolsonaro prometer “desmatamento ilegal zero” até 2029. Há vários motivos que comprovam que tal promessa não se sustenta. Um deles é que, no plano de governo do Flávio, há 22 menções diretas ao pai e pelo menos 10 menções indiretas. E dar continuidade à atuação de Jair Bolsonaro na área ambiental não é uma boa notícia.

Mas o que é ruim com os Bolsonaro sempre pode piorar. Com a crise climática se agravando e um “Super El Niño” vigente e ganhando mais força, o presidente Lula, candidato à reeleição, mencionou o corte de recursos destinados à prevenção e ao atendimento de desastres naturais ocorridos durante o governo de Jair Bolsonaro, informa ((o))eco. Lula contou que a gestão de Jair Bolsonaro deixou apenas R$ 20 mil para atender às vítimas de calamidades provocadas por enxurradas e enchentes em todo o país.

Com Flávio Bolsonaro usando como modelo o “tesouraço” do presidente da Argentina, Javier Milei — os cortes podem chegar a R$ 250 bilhões, segundo informações da própria campanha do candidato do PL —, quem depender de seu governo para socorro emergencial em eventos climáticos extremos poderá ficar entregue à própria sorte.

“Em 25 de outubro, o Brasil vai escolher entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Para quem trabalha com meio ambiente, acompanha as políticas socioambientais ou simplesmente se preocupa com o país que será deixado para as próximas gerações, essa escolha tem um peso enorme, sobretudo depois de assistir ao crescimento no Congresso Nacional de setores que roubam do povo brasileiro suas florestas, terras e outros bens públicos em nome de interesses privados. […] Se com o presidente Lula as coisas são conquistadas com muito custo, com Flávio Bolsonaro não esperamos nada menos que o caos na gestão socioambiental e na vida das pessoas”, reforçam Tânia Maria de Souza e Fernando Cruz Moraes, respectivamente presidente e assessor de comunicação da Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente e do PECMA (ASCEMA Nacional), em artigo n’((o))eco.

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Este conteúdo é originalmente de climainfo.org. Para a reportagem completa, acesse:
https://climainfo.org.br/2026/10/14/flavio-bolsonaro-propos-fim-de-protecao-a-area-onde-jair-foi-multado-por-pesca-ilegal/

Fonte: climainfo.org · Por Ian Mello

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