O Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou que 80% dos funcionários dos Correios permaneçam trabalhando durante a greve nacional da categoria. A decisão liminar foi tomada neste sábado, 12.
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A exigência vale para os serviços de atendimento ao público, transporte, tratamento e distribuição de encomendas e correspondências, além dos setores administrativos e de apoio considerados essenciais para a continuidade da operação postal nos Estados.
Apesar da decisão, o movimento não foi suspenso. A Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e das Empresas de Comunicações (Findect) declarou que a greve prossegue em todo o país e, até o momento, não há data prevista para seu término.
A paralisação começou na noite de quinta-feira 10. No dia seguinte, os Correios recorreram ao TST e apresentaram pedido de dissídio coletivo. A estatal pretende obter o reconhecimento da abusividade da greve e pediu, em caráter de urgência, a manutenção dos serviços.
Caberá ao tribunal examinar tanto a legalidade do movimento quanto as reivindicações dos trabalhadores. O julgamento do dissídio está previsto para 21 de setembro, às 13h30. Um entendimento entre empresa e funcionários ainda pode ocorrer antes da análise do caso.
Enquanto a disputa não é resolvida, os Correios dizem ter colocado em prática seu Plano de Continuidade de Negócios para diminuir os efeitos da paralisação. A estratégia prevê o deslocamento de funcionários de áreas administrativas para funções operacionais, redistribuição de veículos e mutirões destinados a manter a logística postal. De acordo com a estatal, as agências continuam atendendo o público.
A greve ocorre em meio às dificuldades financeiras enfrentadas pelos Correios. Em 2025, a empresa registrou um rombo de R$ 8,5 bilhões, mais do que o triplo do de 2024, que foi de R$ 2,6 bilhões e já era considerado alto. Mesmo em contenção, a expectativa para 2026 é de um prejuízo próximo de R$ 10 bilhões.
A diretoria formalizou pedido de garantia do Tesouro Nacional para buscar R$ 7 bilhões em financiamento com bancos privados. A operação integra o plano de reestruturação financeira da companhia.
No projeto de reestruturação, os Correios abriram em agosto um programa de demissão voluntária (PDV), que poderá atingir até 7 mil funcionários. O prazo de adesão é até o próximo dia 30.
Correios busca cortar despesas
Os trabalhadores decidiram cruzar os braços por tempo indeterminado depois de rejeitar a proposta apresentada pela estatal nas negociações do acordo coletivo. Segundo a Findect, a adesão à greve foi aprovada em 35 assembleias.
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Um dos principais impasses envolve o plano de saúde destinado a funcionários, aposentados e dependentes. Os Correios sustentam que a proposta apresentada preservava 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo, previa correção de salários e benefícios pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e mantinha a assistência à saúde.
A empresa declarou que reconhece o direito de greve, mas ressaltou que o movimento ocorre em uma fase de dificuldades econômico-financeiras. Segundo os Correios, a atual estratégia busca cortar despesas, elevar a eficiência operacional, modernizar a estrutura e ampliar as fontes de receita.
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