“Voou para cima das nossas casas”, disse Romeu Santos, 51 anos, morador de Taquaritinga, no interior de São Paulo. Com 50 mil habitantes, a cidade foi a primeira das três severamente atingidas pela tempestade com granizo e ventos que chegaram a mais de 150 km/h na última sexta-feira, no Estado. “Eram 4h da manhã”, relatou Santos. “Fui ao quintal, como faço em toda madrugada. O vento barulho do vento era diferente. Nunca tinha ouvido nem visto algo assim. Os raios formavam um clarão. De repente, o telhado inteiro da escola em frente à minha casa veio na minha direção. Consegui apenas me encolher e gritar para os vizinhos.”
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A escola em frente à residência dele ficou completamente destruída. A força do vendaval levou mais do que o telhado. Lajes, paredes e janelas, tudo ficou arrasado poucas horas antes de o dia começar e de as crianças e os professores chegarem. Mas o impacto do vendaval se espalhou. Na entrada da cidade, a cobertura da passarela veio abaixo. O teto metálico da rodoviária afundou. Pelas ruas da cidade, havia árvores caídas, placas derrubadas e mais buracos causados pelas chuvas. Nas primeiras horas, a falta de energia elétrica e de abastecimento de água tratada foi absoluta; nem a prefeitura foi poupada. Centenas de famílias tiveram de deixar suas casas, seja pelo telhado levado pelo vendaval, seja pelos cômodos encharcados, seja pela estrutura abalada. O que antes era abrigo virou risco à vida. Os habitantes de Taquaritinga dizem que nada igual havia acontecido antes. É a mesma sensação das populações de Guariba e Ribeirão Preto, as outras cidades severamente afetadas.
Em Guariba, outra escola foi arrasada. Trata-se da ETEC, do Centro Paula Souza, especializada em formação técnica e ensino médio. Além disso, alguns galpões industriais ficaram sem as paredes, o telhado e até os muros que formavam seu entorno. Nas esquinas da cidade, com pouco menos de 40 mil habitantes, escombros de telhas e armações metálicas se tornaram cena comum.
Na cidade de Ribeirão Preto, a maior da região, com quase 700 mil habitantes, houve a morte de um homem de 72 anos, a única registrada. Além disso, comunidades que já eram carentes ficaram em situação ainda mais precária. A cena comum nessas áreas periféricas é a de pequenas e precárias moradias descobertas. No centro, árvores derrubadas e estilhaços de janelas. No domingo, 48 horas depois da tempestade, ainda havia goteiras até na prefeitura, onde o governador do Estado, Tarcísio Gomes de Freitas, deu início a um itinerário de visitas à região. Ele passou pelos três municípios e concluiu o trajeto em frente à escola destruída em Taquaritinga. Desde os primeiros momentos da tragédia, o governo estadual prestou apoio às prefeituras, com o envio da Defesa Civil, de equipamentos e de mantimentos. Em grande parte das áreas atingidas, os serviços de água e luz foram restabelecidos. Agora, restam a reconstrução, a limpeza das ruas e o apoio.
“Vamos enviar equipes de engenharia e os recursos para a reconstrução”, disse Tarcísio. “Os custos são muito pesados para os municípios arcarem sozinhos.”
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