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Queda de Messias envolveu articulação de Alcolumbre e Moraes com apoio de Dino

Queda de Messias envolveu articulação de Alcolumbre e Moraes com apoio de Dino

Brasil Estado | 30/04/2026 às 14:55 | há 5 meses | 3 min de leitura

A derrota da indicação do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) foi precedida por uma articulação política que envolveu o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o ministro Alexandre de Moraes, com apoio de Flávio Dino, conforme relatos obtidos pela coluna.

Nos bastidores do STF, a vaga deixada por Luís Roberto Barroso virou estratégica para o equilíbrio na Corte. A avaliação de integrantes do tribunal ouvidos por Oeste é a de que a eventual chegada de Messias fortaleceria a ala de André Mendonça, composta de Nunes Marques, Luiz Fux e o presidente do STF, Edson Fachin. Na reta final, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes aderiam à campanha — a advogada Guiomar Mendes, ex-mulher do decano, chegou a ficar por algum tempo na primeira fileira da Comissão de Constituição e Justiça para acompanhar a sabatina de Messias.

Dessa forma, Moraes e Dino passaram a atuar politicamente a fim de evitar a consolidação do novo arranjo interno. De acordo com ministros ouvidos pela reportagem, a movimentação incluiu interlocução com lideranças do Senado.

Nesse contexto, Moraes se reuniu com Alcolumbre, em um jantar em Brasília na véspera da sessão que rejeitou o nome de Messias. O encontro foi visto pelo governo federal como sinal de que o resultado já estava encaminhado antes da votação.

Nos corredores do Congresso, parlamentares disseram que houve mobilização coordenada para reduzir o número de votos favoráveis ao indicado de Lula. A estratégia incluiu conversas diretas com indecisos e articulações conduzidas fora do plenário com o objetivo de impedir a formação de maioria mínima para aprovação.

Alcolumbre também tinha interesse direto na rejeição de Messias. Desde o começo, ele não escondeu a mágoa por ter seu nome preferido, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), escanteado por Lula. Além disso, a falta de diálogo do Poder Executivo com o Parlamento passou a ser interpretada por ele como "arrogância" de Lula. O petista tampouco cedeu ao senador cargos em estatais importantes, como os Correios. Desde a saída de Fabiano dos Santos, ex-presidente da estatal, o União queria indicar o novo chefe da empresa.

Messias perdeu por um placar de 42 contra 34, numa votação histórica, já que foi a primeira vez desde 1894 que o Senado rejeitou um indicado ao STF. Lula saiu politicamente derrotado do processo de indicação.

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Derrota de Messias

O advogado-geral da União, Jorge Messias, durante sabatina, na CCJ, para ministro do STF - 29/4/2026 | Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

O placar desfavorável a Messias se deu mesmo com a liberação bilionária de emendas parlamentares e entrega de cargos em agências reguladoras, pelo Palácio do Planalto, a nomes indicados pelos senadores.

Lula fez ainda trocas na composição da Comissão de Constituição e Justiça para deixá-la "mais governista" na sabatina, onde Messias obteve o apoio de 16 parlamentares, depois de quase oito horas sob escrutínio.

Leia também: "O supremo estafeta", artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 319 da Revista Oeste

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Fonte: Revista Oeste · Por Cristyan Costa

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