A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito policial para investigar a possível obtenção e o vazamento de áudios de conversas entre o empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a empresária Roberta Luchsinger.
Os partidos apresentaram a petição nesta sexta-feira, 7, ao ministro André Mendonça. A intenção é saber se houve vazamento do material e por quais meios os áudios teriam chegado à campanha do senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A iniciativa veio à tona depois de o jornal O Globo informar que a campanha do filho Zero Um do ex-presidente Jair Bolsonaro pretende divulgar as gravações.
Na petição, os advogados da Federação Brasil da Esperança levantam a possibilidade de as conversas terem sido obtidas a partir de dados telemáticos coletados pela Polícia Federal (PF). Essas informações, segundo a argumentação apresentada ao STF, estão sob segredo de Justiça e não poderiam ser repassadas a terceiros.
A federação acredita que um eventual vazamento poderia configurar os crimes de quebra de segredo de Justiça e violação de sigilo por agente público.
Roberta Luchsinger também acionou o STF
O pedido da federação partidária não é o primeiro levado ao STF. A defesa de Roberta Luchsinger já havia solicitado uma investigação semelhante em 21 de julho.
As conversas envolvem Fábio Luís Lula da Silva, que passou a ser alvo de três investigações autorizadas pelo STF em desdobramentos do escândalo do INSS.
Uma das frentes de investigação apura a ligação do filho do presidente com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
André Mendonça é responsável pela tramitação de dois desses casos no Supremo. O terceiro está sob responsabilidade do ministro Flávio Dino.
A amiga de Lulinha
Como mostrou uma reportagem de Cristyan Costa, publicada na Edição 334 da Revista Oeste, a PF identificou pagamentos de R$ 1,5 milhão realizados por uma empresa ligada a Careca do INSS à RL Consultoria e Intermediações, de Roberta. O dinheiro foi transferido em cinco parcelas de aproximadamente R$ 300 mil.
Em depoimento à PF, Roberta afirmou que aproximou Lulinha do Careca do INSS depois que o filho do presidente demonstrou interesse por medicamentos à base de cannabis, usados por um familiar. Segundo a empresária, Careca do INSS posteriormente convidou Lulinha para uma viagem à Europa, em novembro de 2024.
Roberta negou ter repassado ao filho de Lula parte dos R$ 1,5 milhão recebidos do lobista. A empresária sustenta que o dinheiro corresponde ao pagamento por serviços prestados por sua empresa.
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