O preço do diesel alcançou um recorde nos Estados Unidos nesta sexta-feira, 11, em meio às consequências dos conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia sobre o mercado mundial de energia. Segundo o Times Brasil/CNBC, o preço médio nacional chegou a cerca de US$ 6,06 por galão, nível nunca registrado anteriormente. Em um ano, o custo para abastecer caminhões e máquinas agrícolas aumentou aproximadamente 63%.
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A Califórnia apresenta uma situação ainda mais extrema. No Estado, que concentra a maior produção agrícola do país, o galão chega a US$ 7,98. O encarecimento não fica restrito aos postos: como o combustível movimenta boa parte do transporte de cargas e equipamentos agrícolas, a tendência é que parte dessa despesa chegue aos preços de alimentos e outros produtos.
A origem da escalada está principalmente na redução da disponibilidade de petróleo e derivados. A intensificação dos confrontos entre EUA e Irã voltou a impulsionar o petróleo norte-americano, que ultrapassou US$ 100 por barril na quinta-feira (10), pela primeira vez desde maio. Em setembro, a valorização acumulada chegava a aproximadamente 20%.
Ao mesmo tempo, diferentes centros de produção e refino foram afetados pelas guerras. Na Rússia, ataques ucranianos atingiram refinarias e Moscou restringiu as exportações de diesel. No Golfo, instalações petrolíferas sofreram ataques do Irã e dos houthis do Iêmen, enquanto a insegurança envolvendo navios-tanque reduziu o transporte de combustíveis pelo Estreito de Ormuz.
À AFP, Arne Lohmann Rasmussen, analista da Global Risk Management, explicou que refinarias do Oriente Médio trabalham abaixo de sua capacidade em razão do conflito e que os países do Golfo enfrentam limitações importantes para exportar. Parte da infraestrutura petrolífera da região também sofreu danos. Rasmussen citou ainda as dificuldades russas para vender sua produção ao exterior.
A dimensão da perda ajuda a explicar a pressão sobre os preços. Gary Simmons, diretor de operações da Valero Energy, estimou no fim de julho que instalações capazes de processar aproximadamente 5 milhões de barris diários haviam deixado de operar por causa das duas guerras. Andy Lipow, presidente da Lipow Oil Associates, calculou que o mercado mundial perdeu perto de 8% do fornecimento de diesel, sem capacidade excedente suficiente nas refinarias para preencher essa lacuna.
EUA e a produção de diesel
Os EUA também têm pouco espaço para compensar o déficit com aumento da produção interna. Helima Croft, chefe global de estratégia de commodities do RBC Capital Markets, afirmou à CNBC que as refinarias norte-americanas operam com utilização de 98% de sua capacidade.
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A consequência começa a aparecer diretamente nas despesas dos norte-americanos. Patrick De Haan, chefe de análise de petróleo da GasBuddy, calcula que o país desembolsa cerca de US$ 700 milhões adicionais por dia com gasolina e diesel em relação ao mesmo período de 2025. A gasolina também avançou e chegou a US$ 4,15 por galão durante o feriado do Dia do Trabalho.
De Haan classificou a permanência do diesel nesse patamar como um “assassino silencioso” para a economia. Bob McNally, presidente da Rapidan Energy, destacou que o combustível tem importância particular porque sustenta diferentes etapas da cadeia produtiva. Caminhões, trens, embarcações e máquinas agrícolas dependem dele, além de haver utilização para aquecimento e geração de eletricidade.
A disparada também entrou no debate político norte-americano. Segundo a agência, combustíveis caros representam um problema especialmente sensível às vésperas das eleições legislativas de novembro. O presidente Donald Trump acusou o Irã de elevar deliberadamente as cotações do petróleo na tentativa de influenciar o resultado das urnas.
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