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Pão de Açúcar tem queda nas vendas e amplia prejuízo no 2º trimestre

Pão de Açúcar tem queda nas vendas e amplia prejuízo no 2º trimestre

Brasil Estado | 05/08/2026 às 07:30 | há 2 meses | 4 min de leitura

O Grupo Pão de Açúcar enfrentou desafios financeiros no segundo trimestre de 2026, e registrou receita líquida de R$ 4,2 bilhões, queda de 9,6% em relação ao ano anterior. O prejuízo líquido consolidado alcançou R$ 252 milhões, aumento de 16,2% frente ao mesmo período de 2025, enquanto a recuperação extrajudicial impactou a oferta de produtos nas lojas.

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O volume total de vendas recuou 7% em comparação ao mesmo trimestre do ano passado, resultado influenciado pelo fim do modelo "aliados", voltado para pequenos comércios, e pela reestruturação das vendas on-line, agora concentradas em canais próprios com maior margem. Ao desconsiderar o portfólio de lojas e o calendário, a retração nas vendas foi de 0,8%.

Impactos da recuperação extrajudicial e cenário de consumo

Segundo o GPA, a recuperação extrajudicial iniciada em março afetou o abastecimento, e provocou um “aumento temporário dos níveis de ruptura”. O pico foi observado em maio, mas houve melhora gradual em junho, com retomada nas vendas e regularização dos estoques.

O grupo relatou que, “além dos fatores específicos do trimestre, observamos o mesmo cenário dos trimestres anteriores, caracterizado por uma demanda mais moderada e por um ambiente de consumo pressionado, no qual o orçamento das famílias continua sendo disputado entre o consumo discricionário e não discricionário”.

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As lojas Pão de Açúcar apresentaram queda de 1,2% nas vendas em mesmas lojas, por causa da ruptura de produtos e à deflação em mercearia básica. No entanto, os perecíveis tiveram desempenho positivo, e evidenciaram sua importância para os clientes mesmo diante de um cenário desafiador.

No Extra Mercado, as vendas em mesmas lojas cresceram apenas 0,4%, impulsionadas por promoções entre maio e junho, período de aniversário da bandeira. Já as lojas de bairro, como Minuto Pão de Açúcar e Mini Extra, registraram queda de 2,3% no trimestre, sendo o segmento mais afetado pela ruptura e pelo consumo pressionado.

Desempenho do e-commerce e plano de recuperação

No comércio eletrônico, o GPA reportou queda de 16,2% nas vendas, o que totalizou R$ 504 milhões, embora tenha destacado ganhos em rentabilidade ao priorizar operações próprias. O Ebitda ajustado somou R$ 450 milhões, alta de 7,3%.

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Com o plano de recuperação extrajudicial ainda em análise, o GPA simulou que, caso aprovado, a dívida líquida cairia de R$ 3,6 bilhões para R$ 1,2 bilhão, redução de 68%. A alavancagem recuaria de 3,9 vezes para 1,3 vez segundo o cenário ajustado.

O CEO Alexandre Santoro afirmou que, com a homologação judicial, o prazo médio das dívidas deve ir de 2,1 para 6,4 anos, o que reduz pagamentos de R$ 5,2 bilhões até 2028 para cerca de R$ 400 milhões. “Seguiremos executando nossa estratégia com foco, responsabilidade e visão de longo prazo, fortalecendo nosso posicionamento e construindo uma trajetória sustentável de geração de valor para clientes, colaboradores, fornecedores, parceiros e acionistas”, declarou Santoro em carta aos investidores.

Avaliação dos auditores e perspectivas

Na terça-feira 4, o GPA apresentou nova versão do plano de recuperação extrajudicial, já apoiada por 57,5% dos créditos sujeitos. Até 13 de julho, 97% dos credores haviam escolhido uma das opções de recebimento propostas pelo grupo. A expectativa é que a Justiça homologue o plano no terceiro trimestre.

Nas notas do balanço, a Ernst & Young apontou prejuízo líquido de R$ 1,68 bilhão no primeiro semestre e déficit de capital circulante líquido de R$ 4,1 bilhões, com R$ 4,39 bilhões em recursos de giro frente a R$ 8,5 bilhões em obrigações a vencer em até um ano. Essa situação decorre da reclassificação de dívidas para o passivo circulante depois de um pedido de recuperação extrajudicial.

Segundo a consultoria, “tais circunstâncias indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional da companhia”, afirmou a Ernst & Young. Apesar disso, os auditores demonstram que, com a homologação do plano, espera-se melhora na liquidez de curto prazo e na sustentabilidade financeira de longo prazo.

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