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ONU aprova mapa-múndi que corrige o tamanho da África

ONU aprova mapa-múndi que corrige o tamanho da África

Brasil Estado | 05/09/2026 às 14:15 | há 1 mês | 4 min de leitura

A Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução que recomenda o uso de mapas-múndi capazes de representar com maior fidelidade a proporção entre os continentes. A decisão, tomada nesta sexta-feira, 4, busca a substituição da tradicional projeção de Mercator por modelos de áreas equivalentes, entre eles o Equal Earth.

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A proposta foi aprovada por 164 países. Seis delegações se abstiveram — Estônia, Geórgia, Lituânia, Moldova, Sérvia e Ucrânia — e outras 22 não participaram da votação. Os Estados Unidos foram a única delegação a votar contra.

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A iniciativa ganhou força a partir de uma campanha conduzida pelo Togo e apoiada pela União Africana. O argumento central dos defensores da mudança é que a forma como o planeta costuma ser exibido nos mapas altera a percepção sobre as dimensões reais de seus territórios, sobretudo no caso da África.

Na projeção de Mercator, regiões situadas em latitudes elevadas são visualmente ampliadas. Por isso, a Groenlândia pode parecer próxima da África em tamanho quando observada em um mapa convencional.

A diferença real é muito maior: o território africano tem cerca de 30,3 milhões de quilômetros quadrados, contra aproximadamente 2,16 milhões de quilômetros quadrados da Groenlândia. A África é, portanto, cerca de 14 vezes maior.

O modelo de Mercator foi criado pelo cartógrafo flamengo Gerardus Mercator e apresentado em 1569. Sua principal finalidade era facilitar a navegação. A projeção permite traçar determinadas rotas por meio de linhas retas, característica que contribuiu para sua ampla utilização ao longo dos séculos.

O Equal Earth surgiu em 2018, desenvolvido pelo cartógrafo Tom Patterson em colaboração com Bojan Savric e Bernhard Jenny. O sistema procura preservar a proporção entre as áreas continentais, embora, como qualquer representação plana do planeta, também apresente algum grau de deformação. A diferença é a prioridade dada à equivalência das áreas.

O novo modelo também ganhou espaço em meio à campanha #CorrectTheMap, com apoio da União Africana. Para seus defensores, a questão não se limita à técnica cartográfica. A representação reduzida da África nos mapas tradicionais contribuiria para uma percepção equivocada sobre a dimensão territorial do continente.

O ministro das Relações Exteriores do Togo, Robert Dussey, afirmou que os países africanos não reivindicam tratamento especial, mas uma representação compatível com suas dimensões geográficas.

Novo mapa-múndi aprovado pela ONU

A resolução aprovada pela Assembleia-Geral não tem força jurídica obrigatória. A proposta aprovada pela ONU não determina um único mapa obrigatório, mas sinaliza preferência por projeções que apresentem as áreas continentais de maneira mais próxima de suas dimensões reais.

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A ideia de seus defensores é de a decisão estimular organizações internacionais, escolas, editoras e empresas de tecnologia a reverem os modelos adotados em mapas físicos e digitais.

A mudança também expõe uma discussão mais ampla sobre a influência das representações cartográficas. Críticos da permanência da projeção de Mercator argumentam que a ampliação visual das regiões próximas aos polos e a redução aparente das áreas equatoriais podem reforçar percepções distorcidas sobre diferentes partes do mundo.

Alguns chegam a classificar esse efeito como uma forma de “colonialismo cartográfico”. Uma percepção mais correta, com este novo modelo, segundo eles, pode favorecer maior atenção de governos, empresas e investidores à região.

Na votação, a missão dos EUA na ONU classificou a iniciativa como parte de uma “agenda ideológica” e declarou que resoluções desse tipo desviam a atenção de questões consideradas mais importantes para a paz, a prosperidade e as relações internacionais.

A posição de Washington contrasta com decisões recentes do governo Donald Trump envolvendo nomes geográficos. O presidente determinou a adoção do nome “golfo da América” para o golfo do México e, posteriormente, passou a chamar o lago Ontário de “lago América”. Em meio ao conflito com o Irã, também propôs alterar o nome do Estreito de Ormuz para “estreito de Trump”.

A cartografia entrou ainda em outra controvérsia envolvendo o governo norte-americano. Em julho, uma apresentação utilizada em uma conferência sobre Aids no Rio de Janeiro mostrou países e localidades africanas em posições incorretas. O Departamento de Estado assumiu a responsabilidade pelo material e classificou o episódio como uma confusão e uma deturpação.

Para os criadores do Equal Earth, o objetivo é oferecer uma representação que mantenha uma aparência familiar do planeta sem sacrificar a relação proporcional entre os territórios.

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