Durante um ano e meio, participantes de um estudo receberam uma injeção por semana. Aqueles tratados com a dose mais alta perderam, em média, 28,3% do peso corporal. Para uma pessoa de 100 quilos, esse porcentual representa pouco mais de 28 quilos. Quase metade dos voluntários eliminou ao menos 30% do peso inicial.
A substância responsável pelo resultado chama-se retatrutida, desenvolvida pela Eli Lilly. Ela atua sobre três receptores hormonais ligados ao apetite, ao controle da glicose e ao gasto de energia. A ação tripla rendeu ao medicamento o apelido de “Godzilla” nas redes sociais.
A retatrutida integra uma geração de tratamentos contra a obesidade que tenta avançar sobre as limitações do Ozempic, do Wegovy e do Mounjaro. A Revista Oeste percorreu as principais pesquisas em andamento e examinou o que cada uma das substâncias pode mudar no tratamento da doença.
Quais substâncias querem substituir o Mounjaro
A semaglutida e a tirzepatida permitem reduções expressivas de peso ao diminuir a fome e prolongar a saciedade. O resultado, contudo, pode vir acompanhado da perda de massa magra. Estudos calculam que músculos, água e outros tecidos correspondam a uma parcela entre 25% e 40% do peso eliminado. A interrupção do tratamento também costuma provocar a volta do apetite e a recuperação de parte dos quilos perdidos.
Os novos estudos procuram melhorar a composição corporal, com maior redução de gordura e preservação dos músculos. Esse objetivo ganhou o nome de “qualidade do emagrecimento”.
Uma das estratégias combina medicamentos que controlam o apetite com anticorpos desenvolvidos originalmente para doenças musculares. Em resultados divulgados em 2026, pacientes tratados com bimagrumabe perderam menos de 1% de massa magra. Entre os participantes que receberam apenas semaglutida, a redução ficou entre 5% e 7%.
Outras pesquisas tentam interferir diretamente no armazenamento de energia. Terapias experimentais da Arrowhead Pharmaceuticals foram associadas, em estudos iniciais com menos de 100 participantes, à redução de gordura visceral — aquela que se acumula ao redor dos órgãos e está relacionada a diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. A empresa avalia tratamentos que poderiam exigir apenas duas aplicações por ano.
A longa duração também preocupa os pesquisadores. Se um efeito adverso aparecer, a substância continuará agindo no organismo por um período extenso. Os resultados ainda precisam ser confirmados por estudos maiores e mais longos.
A mesma cautela vale para a retatrutida. Embora seja anunciada ilegalmente por sites, clínicas e vendedores, essa substância não está aprovada em nenhum país. A Anvisa informa que o fabricante ainda não solicitou o registro e alerta para o risco de produtos clandestinos, que podem conter impurezas, doses erradas ou substâncias diferentes das indicadas no rótulo. O FDA também afirma que a retatrutida não pode ser usada legalmente em medicamentos manipulados nos Estados Unidos.
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