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Lula critica tarifas dos EUA e condena interferência externa em discurso na ONU

Lula critica tarifas dos EUA e condena interferência externa em discurso na ONU

Brasil Estado | 22/09/2026 às 12:00 | há 3 semanas | 6 min de leitura

Em seu último discurso na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, no atual mandato à frente do Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou o palanque internacional para atacar o tarifaço comercial imposto pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros e fazer campanha eleitoral a apenas 12 dias do primeiro turno das eleições gerais brasileiras. 

Em uma fala dura, mas sem criticar diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula condenou o que chamou de tentativa de interferência externa em assuntos do Brasil e  disse que o país “não cabe no quintal de ninguém”.

“Precisamos de parceiros com uma agenda positiva, que fomente o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculo para maior integração entre vizinhos”, afirmou o petista. “A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais, a divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos que constituem gestos anacrônicos.”

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No discurso, Lula afirmou ainda que o governo brasileiro tem “autoridade moral para rejeitar medidas protecionistas disfarçadas de apego à causa ambiental”. 

“A Organização Mundial do Comércio respira por aparelhos. Quando os governos capitulam frente aos que usam tarifas como armas de coerção, as consequências são nefastas”, disse o petista, em referência ao tarifaço comercial imposto pelos EUA.

Para Lula, “o Estreito de Ormuz transformou-se em trincheira da guerra quando deveria permanecer uma passagem vitral para o comércio internacional”. “Famílias em todo o mundo pagam pelo aumento dos preços de combustíveis, fertilizantes e alimentos”, declarou. 

Ormuz é o canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.

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Tom de campanha

Apesar de estar discursando em um fórum internacional, Lula adotou um tom de campanha, a 12 dias do primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil. O presidente da República falou sobre o processo eleitoral e disse que o país não aceitará qualquer interferência de outros países no pleito. 

“No dia 4 de outubro, milhões de brasileiras e brasileiros vão às urnas para definir o seu destino. Não vão apenas eleger o presidente, os senadores e os membros do Legislativo. Vão decidir entre democracia e negacionismo. Se o Brasil vai avançar rumo a um futuro de mais oportunidades ou regressar a um passado de exclusão”, afirmou Lula. 

Segundo o petista, que novamente não citou nomes, “alguns abusam da autoridade para se associar a interesses estrangeiros contra o país”. “Possuímos um sistema eleitoral moderno e robusto, sob o olhar atento de uma cidadania plural e de uma imprensa livre. Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular”, declarou Lula.

https://www.youtube.com/watch?v=4KLWEX5FgL0

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Crime organizado

Mais uma vez sem mencionar expressamente o governo Trump, Lula criticou a decisão dos EUA de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), as duas maiores facções criminosas do Brasil, como grupos terroristas. 

“O Brasil não subestima o desafio representado pelo crime organizado. Estamos preparados para enfrentar as organizações criminosas. As pessoas estão cansadas da violência, mas não vamos terceirizar a responsabilidade de defender as nossas fronteiras”, disse o petista. 

“Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Queremos combater a lavagem de dinheiro realizada por criminosos brasileiros no exterior”, completou.

Inteligência artificial e bets

Em seu discurso na ONU, Lula também deixou clara sua resistência aos avanços da inteligência artificial (IA) e também criticou o mercado de apostas esportivas on-line, as bets. 

“Vivemos uma revolução tecnológica sem precedentes, com grandes riscos e oportunidades. Um punhado de técnicos oligarcas quer ressuscitar uma versão de neoliberalismo digital sem regras nem transparência”, afirmou Lula. 

Para o petista, “empresas que conhecem os riscos de seus produtos transferem para as famílias a impossível tarefa de enfrentar os algoritmos”. “Sua disseminação vertiginosa [das bets] está endividando e destruindo milhões de lares. O Brasil não vai tolerar esse modelo de negócio”, disse. 

Crise da ONU

Um dos pontos principais da fala de Lula foi uma dura crítica à própria ONU, que, segundo o petista, estaria “falhando” na discussão sobre os grandes temas geopolíticos globais, permitindo “crescentes desmandos das superpotências”. 

“Desde que ocupei pela primeira vez esta tribuna, em 2003, este é o momento mais crítico das Nações Unidas. O sentimento que me move hoje é o da indignação. A ONU está falhando na missão de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa”, criticou Lula. “Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel.”

O presidente brasileiro apontou o que chamou de  “uma profunda crise de liderança” em todo o mundo. “O ano de 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial. Trilhões de dólares financiam uma nova corrida armamentista”, observou.  

“Os que detêm as rédeas das decisões cruciais devem atuar com responsabilidade e sentido de urgência. Os  líderes dos países que integram o Conselho de Segurança precisam se reunir. As concessões à lei do mais forte já passaram os limites”, continuou Lula. 

Segundo o presidente, o mundo terá de “optar entre multilateralismo e unilateralismo, democracia ou extremismo, soberania ou autodeterminação”. 

Durante o discurso, Lula também atacou Israel, ao falar em “genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza”, e disse que “civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância do Hamas”.

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https://www.youtube.com/watch?v=IGngz1xe0x0

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