As percepções econômicas do ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), estão descoladas da realidade que o país passa. Em sabatina realizada nesta manhã por o Globo, CBN e Valor, o petista disse que o atual governo Lula conteve gastos, mas o grande desafio fiscal foi receber o país com um rombo de R$ 60 bilhões da gestão anterior, de Jair Bolsonaro.
Ao ser questionado sobre a generosa quantia de R$ 145 bilhões que o Congresso aprovou para a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição, Haddad argumentou que o governo anterior havia deixado de fora da PEC os valores necessários para manter o Bolsa Família em R$ 600 e os precatórios (decisões judiciais definitivas contra a União).
Em 2021, o então presidente Jair Bolsonaro limitou o montante a ser desembolsado para o pagamento de precatórios. O movimento foi justificado pelo governo, na época, para garantir o espaço orçamentário necessário ao custeio do Auxílio Brasil (agora Bolsa Família).
Lula fez o maior ajuste
Haddad afirmou ainda que o governo Lula 3 fez o terceiro maior ajuste de contas do mundo. "Um feito reconhecido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI)", segundo ele. Mas não foi em assim. Em julho deste ano, o FMI elogiou a resiliência do Brasil e o modelo do PIX e defendeu a adoção de um arcabouço legal mais completo, assim como a autonomia do Banco Central.
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O país hoje passa por um dos momentos fiscais mais difíceis. Mais de 80% das famílias e mais de nove milhões de empresas estão endividadas. As empresas estão quebrando, inclusive as grandes varejistas, como a Casas Bahia que anunciou nesta semana o pedido de recuperação judicial.
Ainda que Haddad e o governo petista aleguem que o Brasil vai bem, os números não mentem: a dívida bruta do setor público brasileiro atingiu 81,9% do PIB em junho, alcançando R$10,8 trilhões, segundo o Banco Central. A estimativa é que passe de 87% até o fim do ano.
Em outra afirmação sobre os resultados econômicos do país, Haddad disse que o gasto tributário em proporção a PIB (Produto Interno Bruto) do governo Lula chegou a 6% e que dos governos Temer e Bolsonaro foram, na média, 3% e 4%, respectivamente – e isso está certo. No Lula 3, porém, a média também ficou na casa dos 4%.
São Paulo
Na entrevista, Haddad criticou bastante a gestão de Tarcísio de Freitas, atual governador de São Paulo e líder nas pesquisas de intenção de voto.
Haddad destacou que o estado de São Paulo só mantém o equilíbrio orçamentário graças a abatimentos e renegociações da dívida estadual concedidos pela União. “Se não fosse a renegociação de dívida do governo Lula, o Tarcísio não terminaria o ano (sem déficit)”, disse Haddad sobre um bônus de R$ 12 bilhões em renegociação de dívidas com a União.
A ajuda do governo federal reduziu o tamanho do prejuízo, mas não foi suficiente para reverter o fechamento das contas no vermelho, que tem sido compensado pelas receitas extraordinárias de privatizações.
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Em relação à Segurança Pública, Haddad afirmou que vai criar uma agência de combate ao crime organizado, com representantes de vários setores das polícias (federal, civil e PM), e defendeu a ampliação maior das câmeras corporais nas fardas dos policiais.
“O Tarcísio botou R$600 milhões na Muralha Paulista e não resultou em nada. Nós vamos ter uma tecnologia aprovada e provada que funciona. A letalidade policial subiu 80% no governo Tarcísio", afirmou.
Lulinha e os lobistas
Perguntado sobre a questão de lobistas , Haddad afirmou que respeita Lula porque nunca viu o presidente “mexer um dedo por quem quer que seja”:
“A Polícia Federal, 100% de liberdade sempre, o Ministério Público, 100% de liberdade sempre, o discurso dele público sempre, eu não vou passar pano para ninguém, quem tiver que responder, responda, eu respondo pelos meus atos, cada um responde pelos seus atos. Se você achar alguma coisa que está fora de ordem, cumpra a lei e acabou, não tem problema”.
A Polícia Federal investiga o envolvimento de Fábio Luís Lula da Silva (conhecido como Lulinha), filho mais velho do presidente Lula, e a lobista Roberta Luchsinger por suspeita de tráfico de influência e corrupção.
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