A devastação promovida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022) na Amazônia não se resumiu à floresta. O desmonte da fiscalização ambiental, associado a ataques aos Direitos Indígenas, incentivos à exploração de áreas florestais e à política armamentista, fortaleceu grupos criminosos na região, que aproveitaram para dominar vastos territórios e oprimir as comunidades locais.
Essa é a conclusão de um estudo publicado na revista Transportation Research Part D, desenvolvido por pesquisadores de instituições brasileiras e europeias com a colaboração do Ministério da Defesa. Segundo a análise, organizações criminosas ganharam terreno entre o final dos anos 2010 e o começo dos anos 2020 na Amazônia, beneficiadas pela omissão do poder público federal da época — comandado por Jair Messias Bolsonaro, não custa reforçar.
Os autores analisaram a situação específica do entorno da rodovia BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO). A movimentação em torno da reconstrução do chamado “Trecho do Meio” no governo Bolsonaro impulsionou uma rede de atividades ilícitas que se estabeleceu ao longo da rodovia, transformando a abertura de estradas clandestinas, o desmatamento e a pecuária em mecanismos de apropriação territorial e circulação de recursos de origem ilegal.
O enfraquecimento da fiscalização ambiental, com o desmonte de órgãos como IBAMA e ICMBio, permitiu que atividades ilegais, como a exploração madeireira e o garimpo, avançassem sobre a floresta impunemente. Isso se refletiu na abertura de ramais clandestinos na área da BR-319 — estradas de terra que partem da rodovia e adentram o território, facilitando a ocupação e o desmatamento de áreas florestais mais isoladas.
Ao mesmo tempo, a flexibilização das regras de acesso a armas de fogo, uma das principais bandeiras do governo Bolsonaro, favoreceu o crime organizado. O estudo indica que a maioria das armas apreendidas nessa região da Amazônia vem dos chamados CACs (colecionadores, atiradores desportivos e caçadores) que obtiveram licença durante a gestão Bolsonaro. Com mais armas, a violência explodiu: mais casos de pistolagem, assassinatos ligados a disputas por terra e outros episódios violentos.
Os principais alvos da violência são os Povos Indígenas e as Comunidades Tradicionais. O estudo documentou como essas ameaças passaram a se manifestar por meio de invasões, conflitos armados e da destruição de recursos essenciais para as populações locais. Outro problema intensificado durante o governo Bolsonaro foi o recrutamento de jovens indígenas para trabalhar no tráfico de drogas e no garimpo ilegal, com promessas de riqueza fácil e acesso a armas.
“A análise identificou estruturas entre abertura de ramais, grilagem, desmatamento, mineração ilegal, tráfico, pecuária, frigoríficos e interesses político-institucionais que cresceram durante o governo Bolsonaro. O estudo revela um problema que ultrapassa o crime ambiental isolado: a possibilidade de organizações criminosas consolidarem poder econômico e territorial utilizando tanto atividades ilegais quanto estruturas comerciais formalizadas”, explica Lucas Ferrante, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) e autor principal do estudo, em artigo n’((o)) eco.
Este conteúdo é originalmente de climainfo.org. Para a reportagem completa, acesse:
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Fonte: climainfo.org · Por Ian Mello