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Faesp alerta para riscos ao agronegócio e defende negociação com EUA sobre tarifas

Faesp alerta para riscos ao agronegócio e defende negociação com EUA sobre tarifas

Brasil Estado | 17/07/2026 às 13:01 | há 2 meses | 3 min de leitura

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) manifestou preocupação com a decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras. Washington anunciou a medida no âmbito da investigação aberta em julho de 2025, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Em nota, a entidade pediu que o Brasil priorize a negociação bilateral, técnica e permanente, em vez de recorrer a medidas retaliatórias.

De acordo com a Faesp, o agronegócio nacional segue cumprindo exigências sanitárias, ambientais e regulatórias internacionais, com foco em rastreabilidade, sustentabilidade e competitividade, a fim de manter o Brasil como parceiro comercial confiável do mundo. Não é o produtor rural quem decide em Washington e, mesmo assim, paga a conta de decisões tomadas fora de seu alcance.

O fluxo de exportações do agronegócio brasileiro depende de estabilidade jurídica e previsibilidade nos portos globais.

O momento exige a intensificação da diplomacia comercial contínua, técnica e despida de disputa político-partidária, ressalta a Faesp. Relações comerciais entre nações se constroem com previsibilidade, canais abertos e negociação permanente, não com medidas anunciadas de forma unilateral e respondidas com retórica de confronto.

“Quando a política interna se sobrepõe à estratégia comercial, quem perde é o país”, sustenta a Faesp. “E, mais especificamente, quem perde é o produtor que depende desses mercados para sustentar sua atividade, seus empregos e sua renda.”

A Faesp sugere que o governo brasileiro priorize o diálogo técnico com os EUA, com o objetivo de resolver as divergências apontadas — sejam regulatórias, comerciais ou tarifárias, pela via da negociação. Eventual acordo beneficiaria os setores estratégicos da agricultura brasileira, segundo a federação, como ficou evidente com a manutenção de café e carne fora da nova lista tarifária.

A retaliação inconsequente, motivada por embate político, tende a produzir apenas nova escalada tarifária, maior insegurança jurídica e mais custo para quem produz. O Representante Comercial dos EUA condicionou eventuais revisões das medidas à ausência de retaliação brasileira e sinalizou disposição de manter aberto o canal de diálogo com o governo brasileiro, o que é um indicativo de que a via da negociação segue disponível.

O Brasil tem capital de negociação: é fornecedor relevante e confiável para os EUA em diversas cadeias. Esse capital precisa ser usado com competência técnica e visão de longo prazo, sem ser desperdiçado em disputas de narrativa.

A Faesp informou que analisará em detalhe a lista de produtos e exceções tão logo seja publicada pelo governo norte-americano.

“Credibilidade e confiança, valores que sustentam qualquer relação comercial duradoura, se constroem com diplomacia, e não com confronto”, concluiu a Faesp.

Tirso Meirelles

Presidente da Faesp

O post Faesp vê risco ao agronegócio e pede solução negociada para tarifaço dos EUA apareceu primeiro em Revista Oeste.

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