O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, no final de agosto, ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que criou relações com pessoas influentes da política e promoveu eventos como uma forma de se proteger de pressões que dizia sofrer no mercado financeiro.
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O ex-banqueiro, que foi dono do Banco Master, liquidado em novembro passado sob acusação de operações fraudulentas, afirmou que não pretendia se apresentar como vítima. Segundo ele, a aproximação com autoridades e figuras relevantes ocorreu diante do receio de sofrer retaliações de concorrentes. “Eu fiz eventos do banco, fiz interações, sempre com o intuito de me proteger contra a investida dessas pessoas."
Na sequência, Vorcaro disse que essas iniciativas acabaram produzindo uma rede de relacionamentos com pessoas de diferentes áreas. “Essas medidas de defesa que eu fiz, doutor, elas se traduziram em relações e relacionamento com pessoas relevantes, porque eu tinha medo das retaliações que poderiam acontecer."
Segundo ele, a pressão sobre o Banco Master era tão intensa que ele chegou a considerar deixar o mercado. Vorcaro disse que pretendia sobreviver àquele ambiente e evitar que seus negócios fossem atingidos pelas disputas com concorrentes.
O ex-banqueiro também reconheceu que algumas de suas condutas poderiam ser consideradas ilícitas. No depoimento, entretanto, procurou apresentar essas práticas dentro do contexto de sua estratégia de defesa.
A avaliação dos investigadores, segundo relatos sobre o depoimento, é que as declarações fazem parte da tentativa do ex-banqueiro de convencer o STF a permitir o avanço de sua colaboração.
Em junho passado, a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República rejeitaram a proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro. O argumento era de que ambas consideraram que o material não apresentava novidades suficientes.
A interpretação atual é que ele procura explicar sua atuação sem admitir, neste momento, responsabilidade por crimes financeiros que são objeto de investigação. Vorcaro também falou sobre suas relações com integrantes da PF.
Vorcaro sustenta, porém, que possui informações sobre autoridades e integrantes do atual governo e que encontrou dificuldades para apresentar esse material às autoridades. “Tenho muito a relatar, mas não querem me ouvir."
Entre os nomes mencionados está Andrei Rodrigues, diretor-geral da corporação. O banqueiro afirmou que mantinha uma relação cordial com Rodrigues e que os dois chegaram a participar de eventos sociais e ligados ao setor financeiro.
Vorcaro considera que sofreu ameaças
Vorcaro relatou ainda episódios que classificou como ameaças, intimidações e tortura psicológica durante o período em que esteve sob custódia. "Na verdade, a minha prisão, no meu entendimento, ela já foi uma intimidação para que eu não externasse os fatos que eu desejava falar desde o começo dessa operação."
Também citou nominalmente Rodrigues, ao tratar das dificuldades que, segundo ele, cercaram sua tentativa de colaboração. As acusações são atribuídas ao banqueiro e não significam, por si só, comprovação dos fatos relatados.
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Rodrigues negou as acusações de Vorcaro e, segundo a PF, considerou sem fundamento a alegação de que teria impedido a delação do banqueiro.
Ao explicar sua estratégia de aproximação com figuras influentes, Vorcaro afirmou que as medidas adotadas não produziram o resultado esperado. “Existiu, sim, uma série de medidas de defesa que eu fiz em relações que foram construídas, mas que foram, no final, infrutíferas, porque aqui estou preso e com o banco que foi liquidado."
O depoimento foi prestado sem a presença de representantes da PF. O próprio ministro confirmou posteriormente que Vorcaro foi ouvido dessa maneira.
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