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Entidade da Abin contesta relatório citado por Moraes em decisão sobre Mendonça

Entidade da Abin contesta relatório citado por Moraes em decisão sobre Mendonça

Brasil Estado | 06/09/2026 às 00:00 | há 1 mês | 2 min de leitura

A União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Abin (Intelis) criticou, neste sábado, 5, o conteúdo de um relatório de inteligência atribuído à Polícia Federal e citado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão sobre a atuação do ministro André Mendonça.

Em nota, a entidade afirmou que o documento divulgado não apresenta características compatíveis com os parâmetros metodológicos estabelecidos pela Doutrina da Atividade de Inteligência.

O ministro do STF André Mendonça | Foto: Victor Piemonte/STF

O relatório ganhou destaque depois de Moraes reproduzir trechos do material em uma decisão na qual questionou a condução de investigações sob a relatoria de Mendonça. Entre as informações citadas estão avaliações sobre um suposto direcionamento das apurações e um alegado “viés político” do ministro.

A Intelis não mencionou nominalmente Moraes ou Mendonça e não analisou o mérito das investigações. A manifestação concentrou-se nos critérios técnicos que devem orientar a produção e o uso de documentos de inteligência.

Intelis questiona uso de relatório de inteligência

Segundo a entidade, a atividade de inteligência de Estado não se confunde com investigação criminal nem deve substituir procedimentos destinados à apuração de crimes.

A associação afirmou que documentos dessa natureza precisam seguir processos de coleta, avaliação, análise e validação para assegurar objetividade, consistência e impessoalidade.

“Não é instrumento destinado à substituição de procedimentos investigativos ou à formação de elementos de autoria e materialidade próprios da persecução penal”, afirmou a Intelis.

Para a entidade, o episódio também expõe os riscos da falta de definição sobre os limites entre a atividade de inteligência, a atividade policial e a persecução penal.

A Intelis afirmou que a ausência de uma legislação abrangente sobre o tema pode provocar uma “confusão perigosa” entre essas atribuições.

https://www.youtube.com/watch?v=TBCILMqxUQs

A associação aproveitou a manifestação para defender a análise, pelo Congresso Nacional, do Projeto de Lei nº 6.423/2025. A proposta pretende criar um marco legal para a atividade de inteligência no país e estabelecer competências, limites e mecanismos de controle.

A nota da Intelis acrescenta uma crítica técnica ao documento citado por Moraes. A entidade, contudo, não entrou no mérito das investigações nem atribuiu responsabilidade individual a integrantes do STF ou da Polícia Federal.

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