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Emissão de metano da indústria de petróleo e gás não é medida corretamente, diz PNUMA

Emissão de metano da indústria de petróleo e gás não é medida corretamente, diz PNUMA

Brasil Estado | 20/10/2026 às 00:00 | há 2 horas | 3 min de leitura

As emissões de metano provenientes de mais da metade da produção mundial de petróleo e gás fóssil não estão sendo medidas de forma confiável, apesar de sua relevância para a crise climática. O metano é responsável por 30% do aquecimento global, segundo os cientistas e, no curto prazo, é 80 vezes mais potente que o CO2 como gás de efeito estufa.

O alerta foi dado na semana passada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), informa a Folha. Apesar dos avanços na medição das emissões de metano, o mundo “não consegue evitar os piores impactos do aquecimento sem a participação plena” dos produtores de petróleo e gás na coleta de dados a respeito, afirmou Martin Krause, diretor da divisão de mudança do clima no PNUMA.

As empresas que participaram do relatório anual sobre o monitoramento das emissões de metano do setor, o Oil and Gas Methane Partnership (OGMP 2.0), representam apenas 43% da produção mundial de petróleo e gás. A maior parte das emissões de metano declaradas pelos membros da OGMP procede das atividades de exploração e produção (82%), muito à frente das redes ou dos terminais de gás, ressalta o relatório do PNUMA.

A discrepância regional também impressiona. Embora 88% da produção de petróleo e gás europeia esteja coberta pelo sistema de declaração de emissões de metano da OGMP, o índice cai para 48% na América do Norte e para parcos 16% na Ásia Central.

Mas se a Europa sai bem na medição das emissões de metano, o mesmo não se pode dizer da decisão mais recente sobre o gás. A Comissão Europeia propôs um adiamento de um ano das regras do bloco sobre as emissões de metano nas importações de petróleo e gás, após pressão de governos como os da França e dos Estados Unidos, segundo a Reuters. As regras, que entrariam em vigor em 1º de janeiro de 2027, exigiriam que os fornecedores estrangeiros de petróleo e gás da UE monitorassem e relatassem o metano.

De acordo com as alterações propostas, as regras entrariam em vigor em 2028. Os importadores teriam até 31 de maio de 2029 para comprovar que suas importações de petróleo, gás e carvão do ano anterior cumpriram as normas de monitoramento e comunicação de metano equivalentes às da UE — o que significa que seus fornecedores estrangeiros precisariam fornecer as informações.

A justificativa para o adiamento diz respeito aos preços da energia no bloco, afetados pela guerra no Oriente Médio. No entanto, ambientalistas alertam que atrasar as regras sobre metano pouco reduzirá os preços e acusam a UE de usar a segurança energética e a competitividade para justificar o enfraquecimento do Pacto Ecológico, destaca a Euronews.

Responsável sênior de campanhas da Environmental Investigation Agency, Jack Corscadden reforça que não há qualquer ligação demonstrável entre a aplicação das regras europeias sobre o metano e os atuais desafios de abastecimento energético. “Depois de um verão de ondas de calor e incêndios florestais recordes, a Comissão [Europeia] falha com os cidadãos europeus ao adiar esta peça vital de legislação climática, que aliviará produtores e exportadores de combustíveis fósseis”, disse.

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Este conteúdo é originalmente de climainfo.org. Para a reportagem completa, acesse:
https://climainfo.org.br/2026/10/19/emissao-de-metano-da-industria-de-petroleo-e-gas-nao-e-medida-corretamente-diz-pnuma/

Fonte: climainfo.org · Por Célia Mello

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