quarta-feira, 14 de outubro de 2026 Transmissão 24h
INÍCIO
Defesa de Daniel Vorcaro busca invalidar provas da PF após fracasso em delação

Defesa de Daniel Vorcaro busca invalidar provas da PF após fracasso em delação

Brasil Estado | 02/07/2026 às 07:30 | há 3 meses | 5 min de leitura

Investigadores que acompanham o caso Banco Master avaliam que a defesa do executivo Daniel Vorcaro mudou de estratégia e passou a concentrar esforços na tentativa de invalidar as provas reunidas pela Polícia Federal (PF).

Sem sucesso nas negociações para um acordo de colaboração premiada com a PF e com a Procuradoria-Geral da República (PGR), os advogados do banqueiro buscam identificar eventuais falhas na cadeia de custódia dos celulares apreendidos durante a investigação para fundamentar um pedido de nulidade do processo.

+ Entenda mais de Política em Oeste

A principal aposta da defesa, segundo a coluna de Malu Gaspar no jornal O Globo, é verificar se houve alguma irregularidade na preservação da cadeia de custódia dos oito celulares de Vorcaro apreendidos pela PF. Para isso, especialistas foram contratados para revisar a documentação do inquérito, examinar os procedimentos adotados pelos investigadores e, se necessário, realizar perícias no material recolhido.

Trecho de mensagens obtidas pela Polícia Federal mostra conversa entre Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro sobre visita a imóveis de alto padrão associados à investigação | Foto: Reprodução/STF

Segundo fontes envolvidas na apuração, o foco da defesa deixou de ser contestar o conteúdo das mensagens e documentos extraídos dos aparelhos e passou a buscar fundamentos jurídicos para invalidar as provas. Os investigadores, contudo, afirmam que não identificam, até o momento, elementos que indiquem falhas na condução da cadeia de custódia nem enxergam perspectiva concreta de êxito para essa estratégia.

A cadeia de custódia reúne protocolos técnicos destinados a assegurar a autenticidade e a integridade das provas desde sua coleta até a apresentação em juízo. A legislação prevê que eventuais violações desses procedimentos podem comprometer a validade das evidências, razão pela qual questionamentos sobre esse tema são frequentemente utilizados por defesas em processos criminais.

O conteúdo dos celulares de Vorcaro embasou representações da PF em diferentes fases da Operação Compliance Zero e permitiu aos investigadores reconstruir, segundo a apuração, a estrutura do suposto esquema de corrupção atribuído ao ex-controlador do Banco Master.

Fachada da sede do Banco Master na Rua Elvira Ferraz, no bairro paulistano Vila Olímpia | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

De acordo com fontes ligadas ao caso, o material extraído dos aparelhos também pesou para que a PF e a PGR rejeitassem duas propostas de colaboração premiada apresentadas por Vorcaro.

Entre os motivos apontados está a constatação de que informações consideradas relevantes teriam sido omitidas nas negociações, incluindo referências a supostos pagamentos de despesas do senador Ciro Nogueira (PP-PI), tratativas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante negociações relacionadas ao filme Dark Horse e o grau de participação atribuído ao pai de Vorcaro, Henrique Vorcaro, e ao primo, Felipe Vorcaro.

A PGR também não levou adiante tratativas de colaboração com Fabiano Zettel, cunhado e apontado como operador financeiro de Vorcaro, nem com o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa.

Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro | Foto: Reprodução/Redes Sociais

STF tem mantido decisões de Mendonça sobre Vorcaro

Nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF), o tema também ganhou relevância. Embora o ministro Gilmar Mendes tenha feito críticas à condução do caso pelo relator, ministro André Mendonça, e levantado a possibilidade de existirem nulidades, as decisões do relator vêm sendo mantidas pela maioria da 2ª Turma.

No julgamento realizado no mês passado, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques acompanharam Mendonça na decisão que manteve presos Henrique e Felipe Vorcaro. Integrantes da Corte descrevem Fux como um aliado consistente do relator, enquanto Nunes Marques é visto como um voto de equilíbrio, sem alinhamento automático aos grupos que divergem sobre o caso.

A partir do próximo mês, Fux assumirá a presidência da 2ª Turma, substituindo Gilmar Mendes. Nos bastidores, investigadores avaliam que a mudança tende a reduzir incertezas quanto à condução da pauta de julgamentos relacionados à investigação.

O ministro Luiz Fux, durante estreia na 2ª Turma do STF - 11/11/2025 | Foto: Gustavo Moreno/STF

A discussão sobre a cadeia de custódia já serviu de fundamento para outras decisões judiciais de grande repercussão. Em 2023, o ministro Dias Toffoli utilizou esse argumento ao anular provas relacionadas ao acordo de leniência da Odebrecht no contexto da Operação Lava Jato.

A nova ofensiva jurídica ocorre no momento considerado mais delicado para Vorcaro desde sua segunda prisão, em março. Além de ter as propostas de colaboração rejeitadas, o ex-banqueiro foi transferido da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.

A defesa do ex-banqueiro, liderada pelo advogado Sérgio Leonardo, tentou reabrir as negociações com a PGR e a PF para apresentar uma terceira proposta de colaboração premiada. As iniciativas, porém, não prosperaram.

Entrada do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, popularmente conhecido como Papudinha | Foto: Cássio Nascimento/Google Maps

Segundo relatos obtidos pela reportagem, Leonardo abordou pessoalmente o procurador-geral da República, Paulo Gonet, no Salão Branco do STF para informar que Vorcaro estaria disposto a apresentar uma nova proposta e fornecer informações de interesse da investigação. Gonet teria recusado a possibilidade de retomar as negociações.

Nos dias anteriores, o advogado também buscou interlocutores da PF e da própria PGR em outras conversas reservadas, igualmente sem sucesso.

Investigadores e integrantes do Ministério Público Federal afirmam que permanecem céticos quanto à disposição de Vorcaro em admitir integralmente os fatos investigados. A avaliação é que as tentativas de reaproximação teriam como objetivo ganhar tempo enquanto a defesa desenvolve teses capazes de sustentar eventual pedido de nulidade das provas.

Até o momento, essa hipótese não encontrou respaldo em elementos concretos da investigação.

O post Defesa de Vorcaro tenta anular provas da PF depois de fracasso em negociar delação apareceu primeiro em Revista Oeste.

Compartilhar: WhatsApp Twitter

Leia também