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De jornalistas falsos a ataques à Ucrânia: como Rússia e Irã usaram o ChatGPT

De jornalistas falsos a ataques à Ucrânia: como Rússia e Irã usaram o ChatGPT

Brasil Estado | 09/10/2026 às 18:30 | há 6 dias | 4 min de leitura

Uma operação com origem na Rússia usou o ChatGPT para apoiar campanhas destinadas a prejudicar a imagem da Ucrânia e influenciar a política na América Latina. De acordo com relatório divulgado pela OpenAI, na quinta-feira 8, o grupo controlava um centro de estudos na região, cujos funcionários aparentemente desconheciam quem estava por trás da organização.

O documento também revelou uma operação distinta, originária do Irã, que utilizava identidades fictícias de jornalistas para oferecer artigos a veículos de comunicação.

A OpenAI não apresentou evidências de coordenação entre os grupos, mas identificou o uso de inteligência artificial e estruturas de fachada para esconder a origem dos conteúdos. As contas envolvidas nas duas operações foram bloqueadas.

https://www.youtube.com/watch?v=tSsN6y9jaNU&pp=ygUNUmV2aXN0YSBPZXN0ZQ%3D%3D

Operação russa mantinha centro de estudos na América Latina

O grupo russo utilizava uma organização chamada Social Research Center (SRC), que mantinha site, funcionários e pesquisas próprias.

Segundo a OpenAI, os operadores administravam o centro de estudos por meio de uma identidade fictícia chamada Mia Clark.

Relatórios internos mencionavam decisões sobre salários, contratações e demissões. Os funcionários locais entrevistavam especialistas e produziam estudos sem saber, conforme as evidências reunidas pela empresa, que trabalhavam para uma operação russa.

O ChatGPT era utilizado principalmente para elaborar balanços internos das atividades. Em determinadas situações, a ferramenta também auxiliava na produção de documentos falsificados, traduções e roteiros de áudio. O relatório, contudo, não afirma que toda a produção do centro de estudos fosse realizada com inteligência artificial.

As campanhas buscavam prejudicar a imagem da Ucrânia e influenciar a percepção pública sobre líderes latino-americanos. Para isso, os operadores recorriam a publicações nas redes sociais, falsos vazamentos e conteúdos divulgados pela imprensa.

A OpenAI identificou falsificações que provocaram checagens de informações, desmentidos oficiais e manifestações de políticos. Embora os episódios indiquem que parte do material ganhou repercussão, a empresa não comprovou que as campanhas tenham alterado decisões políticas ou resultados eleitorais.

Irã criou falsos jornalistas para publicar artigos

A operação iraniana utilizava sete identidades fictícias que se apresentavam como jornalistas ocidentais, principalmente norte-americanos. Os perfis tinham nomes, biografias e contas em redes sociais, além de serem utilizados para assinar artigos e estabelecer contato com veículos de comunicação.

A OpenAI identificou quase cem artigos publicados ou republicados sob essas assinaturas em cerca de uma dúzia de veículos digitais. As publicações encontradas abrangem o período de julho de 2025 a outubro de 2026 e tratavam principalmente de assuntos internacionais, geopolítica e acontecimentos no Oriente Médio.

Um dos perfis, identificado como Ervin B. Hoskins, apresentava-se como escritor freelancer norte-americano. Informações de transparência das redes sociais, contudo, associavam suas contas ao Irã.

Os operadores utilizavam o ChatGPT para revisar os artigos, adaptá-los às exigências editoriais e preparar mensagens destinadas aos editores. A ferramenta também auxiliava na elaboração de comentários para publicação nas redes sociais.

Embora os artigos tenham conseguido espaço em veículos de comunicação, a OpenAI constatou que os comentários publicados nas redes sociais tiveram pouco engajamento. O relatório também não demonstra que as redações soubessem da verdadeira origem dos textos recebidos.

OpenAI aponta limites no alcance das operações

A empresa ressaltou que a circulação dos conteúdos não comprova, por si só, a eficácia das campanhas de influência. No caso iraniano, os artigos alcançaram veículos digitais, mas as publicações nas redes sociais tiveram repercussão limitada.

Na operação russa, a OpenAI identificou inconsistências nos relatórios internos. Os próprios operadores atribuíram ao grupo atividades que, segundo as verificações da empresa, não tinham relação com a campanha.

Dessa forma, as alegações de sucesso apresentadas pelos envolvidos não podem ser consideradas resultados comprovados. A OpenAI informou que compartilhou informações sobre as duas operações com as autoridades competentes.

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