A Coreia do Norte anunciou neste sábado, 3, que realizou um teste com um míssil de alcance intermediário equipado com inteligência artificial (IA). Segundo o regime de Pyongyang, o armamento consegue executar manobras em baixas altitudes e modificar sua rota durante o voo, o que dificultaria a ação dos sistemas de defesa.
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Autoridades militares da Coreia do Sul e do Japão, segundo a AFP, identificaram horas antes que um míssil balístico havia sido disparado em direção ao Mar do Japão, na costa leste da península coreana.
Kim Yo-jong, irmã do ditador Kim Jong-un, atribuiu ao novo projétil uma capacidade tecnológica inédita. Segundo ela, nenhum outro país conseguiria desenvolvê-la nos próximos anos. A dirigente não apresentou, entretanto, detalhes sobre o funcionamento da IA nem provas que permitam confirmar as características anunciadas.
Ela também afirmou que as mudanças de direção do míssil prejudicam o monitoramento realizado pelas forças sul-coreanas. Seul, acrescentou ela, não consegue acompanhar adequadamente os alvos desde as primeiras alterações de trajetória quando o armamento utiliza um padrão de voo ondulatório.
O aperfeiçoamento dos sistemas militares com recursos de IA já havia sido considerado prioridade por Kim Jong-un em setembro. O governante norte-coreano defendeu o avanço dessa tecnologia no desenvolvimento de armas.
Possível influência russa no lançamento de míssil da Coreia do Norte
A Rússia estaria por trás dessas manobras. Analistas consideram que a aproximação entre Pyongyang e Moscou pode acelerar a modernização do arsenal norte-coreano. Uma das possibilidades apontadas é a transferência de conhecimento militar russo como contrapartida ao envio de soldados da Coreia do Norte para atuar ao lado das tropas de Moscou na guerra da Ucrânia.
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O anúncio do teste ocorre em um período de deterioração das relações entre as duas Coreias. Recentemente, três militares sul-coreanos ficaram feridos em uma explosão na Zona Desmilitarizada, área que separa os países. As Forças Armadas de Seul responsabilizaram Pyongyang pelo episódio e exigiram um pedido de desculpas.
O governo norte-coreano rejeitou a acusação. Na sexta-feira 2, dirigiu novas críticas à Coreia do Sul, que classificou como desprezível. O confronto diplomático representa mais um obstáculo às tentativas sul-coreanas de restabelecer o diálogo bilateral.
Os dois países mantém as hostilidades desde a Guerra da Coreia (1950 - 1953). Em 27 de julho de 1953, foi assinado um armistício, que criou a Zona Desmilitarizada da Coreia. O objetivo foi o de separar o Norte e o Sul permitir a troca de prisioneiros. Desde então, porém nenhum tratado de paz formal foi assinado.
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