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Condenação de Bolsonaro no STF completa um ano; ex-presidente cumpre pena em casa

Condenação de Bolsonaro no STF completa um ano; ex-presidente cumpre pena em casa

Brasil Estado | 11/09/2026 às 09:45 | há 1 mês | 6 min de leitura

Há um ano, em 11 de setembro de 2025, a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenava o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados a uma suposta tentativa de golpe de Estado depois das eleições de 2022.

Bolsonaro cumpriu parte da pena em regime fechado na Papudinha, entre janeiro e março de 2026, antes de obter prisão domiciliar por razões de saúde. Desde então, o ex-presidente passou a cumprir pena em casa, enquanto seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), se lançou à disputa pela Presidência da República.

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A decisão da sentença foi tomada por 4 votos a 1. O relator, ministro Alexandre de Moraes, foi acompanhado por Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. Luiz Fux foi o único a votar pela absolvição do ex-presidente e de outros réus em relação à maior parte das acusações.

Jair Bolsonaro e Alexandre de Moraes no julgamento da denúncia sobre o núcleo 1 da Pet 12.100, pela Primeira Turma do STF (25/3/2025) | Foto: Antonio Augusto/STF

Bolsonaro foi condenado por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e ameaça grave e deterioração de patrimônio tombado.

Como os ministros votaram

Em seu voto, que durou cerca de cinco horas, Moraes apontou Bolsonaro como líder de uma organização que, segundo a acusação, pretendia impedir a posse do governo eleito em 2022. O ministro citou a minuta de um decreto, reuniões com militares, o financiamento de acampamentos em frente a quartéis e o chamado Plano Punhal Verde e Amarelo.

Para Moraes, as iniciativas representaram atos voltados à ruptura institucional. O ministro também relacionou os fatos aos atos de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram as sedes dos Três Poderes, em Brasília.

Manifestantes durante invasão aos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023 | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Dino acompanhou o relator e afirmou que as ações atribuídas aos réus ultrapassaram a fase de preparação. Segundo o ministro, houve “atos executórios” que colocaram em risco o Estado Democrático de Direito. Ele classificou Bolsonaro e o general Walter Braga Netto como líderes do grupo e defendeu penas menores para réus que, em sua avaliação, tiveram participação menos relevante.

Cármen Lúcia também votou pela condenação. Para a ministra, a Procuradoria-Geral da República apresentou provas de uma organização coordenada para atacar o Judiciário e o sistema eleitoral. Ela afirmou que Bolsonaro liderou as iniciativas destinadas a promover uma ruptura institucional e permanecer no poder.

Zanin acompanhou integralmente o voto de Moraes. Para ele, as provas demonstraram a existência de uma organização criminosa armada estruturada para manter Bolsonaro no poder. O ministro afirmou que os fatos não se limitaram a opiniões políticas ou atos preparatórios.

Fux foi o único a votar contra a condenação de Bolsonaro e de outros réus da 'trama golpista' | Foto: Rosinei Coutinho/STF

Fux apresentou a única divergência. Em um voto de 14 horas, defendeu a absolvição de Bolsonaro e de outros cinco acusados. O ministro também acolheu argumentos das defesas sobre competência do STF e suposto cerceamento do direito de defesa.

+ "Um voto supremo"

Ao analisar individualmente as acusações, Fux sustentou que o Judiciário deve manter distância das funções próprias da investigação. No caso de Mauro Cid e Braga Netto, votou pela condenação somente pelo crime de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

O que aconteceu com Bolsonaro

Embora a condenação tenha sido definida em setembro de 2025, as prisões dos integrantes do chamado núcleo central ocorreram em 25 de novembro, quando houve o trânsito em julgado da ação. Moraes determinou que Bolsonaro cumprisse a pena inicialmente em regime fechado, no anexo da Penitenciária da Papuda, em Brasília.

Ilustração que mostra a planta da sala da Superintendência da Polícia Federal onde o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpriu parte da pena imposta pela 1ª Turma do STF | Foto: Reprodução/Redes sociais

Em março de 2026, contudo, o ex-presidente passou ao regime de prisão domiciliar em razão de problemas médicos. Desde então, permanece em casa sob restrições determinadas pelo STF.

As regras impostas por Moraes também limitaram o contato de Bolsonaro com aliados e familiares. Flávio chegou a ser proibido de visitar o pai depois de uma violação das condições estabelecidas para a prisão domiciliar.

A restrição reduziu a participação direta de Bolsonaro na campanha eleitoral. Segundo pessoas próximas, ele continua acompanhando a disputa e demonstra otimismo em relação à candidatura do filho e de nomes que escolheu para o Senado, entre eles a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).

O ex-presidente Jair Bolsonaro chegando à sua residência para cumprir prisão domiciliar, em Brasília, no dia 27 de março de 2026 | Foto: Reuters/Adriano Machado

Em 8 de setembro, Moraes ampliou a lista de visitantes autorizados na residência. Renato Bolsonaro (PL), irmão do ex-presidente e candidato a deputado federal, além do pai, da madrasta e de duas irmãs de Michelle, receberam autorização para entrar no local.

Flávio Bolsonaro afirma que, se vencer a eleição presidencial, pretende conceder anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. O senador também declarou que deseja subir a rampa do Palácio do Planalto ao lado do pai e tê-lo como “bússola” de seu governo.

Delimitação do caso

As investigações sobre a suposta tentativa de golpe de Estado avançaram com a colaboração premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Ele relatou reuniões do então presidente com ministros, embaixadores e comandantes militares durante o período eleitoral de 2022.

O caso também envolveu os generais Braga Netto, Anderson Torres, Almir Garnier, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, além do deputado Alexandre Ramagem. As penas impostas aos réus variaram de 16 anos e um mês a 26 anos, enquanto Cid recebeu tratamento diferenciado em razão da colaboração premiada.

Mauro Cesar Barbosa Cid nos Interrogatórios dos réus da Ação Penal (AP) 2668 (9/6/2025) | Foto: Ton Molina/STF

Cid está solto em razão do acordo. Ramagem está foragido nos Estados Unidos. Heleno, diagnosticado com Alzheimer, cumpre prisão domiciliar. Braga Netto, Paulo Sérgio Nogueira e Almir Garnier estão detidos em unidades militares, enquanto Torres está preso no Distrito Federal.

Em maio, a defesa de Bolsonaro pediu ao STF a anulação da condenação. O processo passou a ser relatado pelo ministro Kassio Nunes Marques, integrante da 2ª Turma que não participou do julgamento original.

Em junho, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se contra o pedido. Para ele, a condenação foi baseada em um “vigoroso conjunto probatório”. A solicitação ainda não tem data para ser analisada pela Corte.

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