A carne bovina brasileira ficou de fora da tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos nesta quarta-feira, 15, em uma decisão já esperada pelo setor exportador. A exclusão ocorre em um cenário de forte dependência norte-americana das importações, impulsionada pela menor disponibilidade de gado em décadas e por problemas sanitários que dificultam a recuperação da produção doméstica.
Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) mostram que o rebanho bovino do país somava 86,2 milhões de cabeças em 1º de janeiro de 2026, o menor nível desde 1951. O número de vacas de corte caiu para 27,6 milhões de cabeças, enquanto a safra de bezerros foi estimada em 32,9 milhões, o menor volume registrado desde 1941.
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A retração é atribuída a um ciclo pecuário marcado por anos de seca em importantes regiões produtoras, aumento dos custos de produção e elevado descarte de matrizes. Mesmo com melhora das condições climáticas, a recomposição do rebanho exige vários anos, mantendo a oferta de carne restrita.
Nesse contexto, os Estados Unidos ampliaram as compras externas para abastecer a indústria e o mercado consumidor. O Brasil consolidou sua posição entre os principais fornecedores de carne bovina ao país.
As projeções mais recentes do Usda revelam que as importações norte-americanas devem alcançar cerca de 6,1 bilhões de libras, o equivalente a aproximadamente 2,77 milhões de toneladas em 2026. O volume representa alta de cerca de 12% em relação a 2025, quando as compras externas ficaram próximas de 5,45 bilhões de libras, ou 2,47 milhões de toneladas.
Durante a consulta pública conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, que recebeu manifestações sobre a proposta de sobretaxar produtos brasileiros, entidades do setor de proteína animal, como a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes e a Associação Brasileira de Proteína Animal, optaram por não participar das audiências.
Doença prejudica produção de carne bovina nos EUA
Além da restrição na oferta de bovinos, a pecuária dos EUA enfrenta desafios sanitários. Levantamento da Terra Investimentos, baseado em dados do Serviço de Inspeção Sanitária Animal e Vegetal do Usda, aponta 39 casos confirmados da bicheira do Novo Mundo, quatro a mais do que na atualização anterior. Desse total, 18 permanecem ativos.
Os registros envolvem apenas animais domésticos, sendo 38 casos no Texas e um no Novo México. Não há confirmações da doença em animais silvestres ou ferais nem detecções positivas em armadilhas para captura da mosca.
A bicheira do Novo Mundo é provocada pela larva da mosca Cochliomyia hominivorax, que deposita ovos em feridas abertas. As larvas alimentam-se de tecido vivo de animais de sangue quente, causando lesões, redução da produtividade e, nos casos mais graves, a morte dos animais.
Embora o número de ocorrências ainda seja limitado, o avanço da doença amplia a preocupação das autoridades sanitárias e do setor pecuário em um momento de reconstrução do rebanho norte-americano. A avaliação do mercado é que qualquer fator capaz de retardar essa recuperação tende a manter elevada a necessidade de importação de carne bovina pelos Estados Unidos.
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