A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contestou um relatório da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e acusou o deputado federal André Janones (Avante-MG) de apagar 219 publicações de um canal de WhatsApp utilizado para divulgar conteúdos contra o candidato à Presidência da República. De acordo com a equipe do Zero Um, as mensagens foram excluídas em apenas 18 minutos, na madrugada de 8 de outubro.
Em nota divulgada em resposta à Informação Técnica nº 001/2026 da AEED, a campanha afirmou que o canal “Exército do Lula” adotava uma estratégia de exclusão sistemática de mensagens para dificultar a fiscalização da Justiça Eleitoral e da própria plataforma. A equipe alega que preservou cópias do material e pretende apresentar novas provas ao TSE.
Conforme a nota, Janones publicou, à 1h10 de 8 de outubro, uma mensagem na qual afirmava que não divulgaria “uma única fake news até o final da campanha”. Cerca de 40 minutos depois, teria iniciado a exclusão das 219 publicações.
Entre os conteúdos apagados, segundo a equipe de Flávio, estavam orientações e links para vídeos que divulgavam informações falsas sobre o cancelamento de um reajuste do Bolsa Família e a redução de aposentadorias. A campanha afirma que os vídeos continuaram disponíveis nas redes sociais, com 920 mil e 3,1 milhões de visualizações, respectivamente.
Campanha de Flávio acusa TSE de não preservar provas
A manifestação da equipe de Flávio ocorre depois de a assessoria técnica do TSE informar, nesta segunda-feira, 12, que não encontrou no canal as publicações apontadas como falsas pela campanha. Os técnicos examinaram conteúdos divulgados entre 2 e 11 de outubro, incluindo textos, vídeos, áudios e pré-visualizações de links.
A campanha atribui o resultado ao apagamento das mensagens e critica a atuação do corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. Segundo a nota, o pedido de preservação dos dados foi apresentado em uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), inicialmente protocolada sob sigilo. A equipe afirma que o magistrado retirou o segredo de justiça sem determinar a conservação dos conteúdos pela Meta.
O TSE informou, em comunicado divulgado no último sábado, 10, que Cueva havia solicitado a apresentação de arquivos digitais mencionados na petição inicial, mas não incorporados ao processo eletrônico. O tribunal confirmou o recebimento de um pen drive pela Secretaria Judiciária e esclareceu que a entrega do dispositivo não dispensava a inclusão organizada dos arquivos nos autos, para permitir a análise e assegurar o direito de defesa dos investigados.
A equipe de Flávio afirma ter realizado o espelhamento do canal em tempo real, preservando parte das mensagens posteriormente excluídas. O material já havia sido entregue à Secretaria Judiciária quando a ação foi ajuizada.
A proliferação de fake news
A campanha também descreveu o funcionamento do “Exército do Lula”. De acordo com a nota, os administradores orientavam os participantes a copiar e colar conteúdos, em vez de utilizar a função de encaminhamento do WhatsApp, sujeita a limites de compartilhamento.
Outra orientação mencionada pela equipe seria divulgar vídeos sem assisti-los previamente. A campanha afirma que a prática tinha a finalidade de ampliar o alcance das publicações e dificultar a atuação dos mecanismos de controle da plataforma.
O documento também atribui a Janones o uso de comandos como “EXPLODAM” e “COMPARTILHEM”, acompanhados de links para vídeos hospedados em outras redes sociais. Conforme a campanha, essa estratégia permitiria que o texto publicado no WhatsApp não contivesse diretamente a informação falsa, o que dificulta a identificação pelos sistemas de fiscalização.
A nota apresenta ainda um exemplo relacionado ao Bolsa Família. Um infográfico anexado ao documento mostra a sequência de divulgação de um vídeo publicado em setembro, desde o envio de uma orientação no canal até a circulação no Instagram e no Facebook. Segundo os dados apresentados pela campanha, a publicação alcançou 920 mil visualizações, 118 mil curtidas e 23 mil comentários.
Disputa envolve canal com milhões de seguidores
O “Exército do Lula” se tornou uma das principais ferramentas de mobilização digital dos apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. Janones afirmou que o canal reunia cerca de 3,3 milhões de participantes.
Neste domingo, 11, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão do canal a pedido da campanha de Flávio. A decisão foi posteriormente revertida por Cueva, que considerou insuficientes os elementos apresentados para justificar a restrição naquele momento.
Janones reagiu à primeira decisão e acusou a Justiça Eleitoral de censura. A campanha de Flávio rejeita essa interpretação e afirma que a proibição de conteúdos comprovadamente falsos constitui uma obrigação legal.
A equipe do senador também afirma que as práticas denunciadas violam o Plano de Conformidade firmado entre a plataforma e o TSE, sobretudo as regras destinadas a impedir a utilização de canais de grande alcance para atividades ilícitas.
A campanha informou que encaminhará à Presidência do tribunal um novo relatório técnico, acompanhado das cópias de mensagens que afirma ter preservado antes das exclusões.
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