O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), apresentou um requerimento à Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (Credn) para que o colegiado solicite oficialmente à Embaixada dos Estados Unidos no Brasil informações, estudos e levantamentos sobre o avanço do crime organizado transnacional e sua possível atuação no financiamento ilícito de campanhas eleitorais na América Latina.
A proposta prevê o envio de um ofício ao encarregado de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, com pedido de acesso a dados sobre o narcotráfico e as estratégias utilizadas por organizações criminosas para ampliar sua influência política e institucional, especialmente no Brasil.
Segundo o requerimento, a comissão possui competência para tratar de assuntos relacionados a política externa, defesa nacional e cooperação internacional, razão pela qual o parlamentar sustenta a necessidade de aprofundar o debate sobre a atuação das facções criminosas além das fronteiras nacionais.
Na justificativa, Sóstenes afirmou que “se torna imperativo que o colegiado se debruce sobre o avanço do crime organizado transnacional, em especial o narcotráfico, que tem buscado não apenas o controle territorial, mas também a influência institucional por meio do financiamento ilícito de campanhas eleitorais no Brasil e na América Latina”.
Relatórios e investigações dos EUA
No documento, Sóstenes argumentou que há elementos que justificam a busca de informações com as autoridades norte-americanas, ao citar o trabalho desenvolvido por órgãos de inteligência e investigação dos Estados Unidos.
O parlamentar ressaltou que “há uma preocupação latente e indícios noticiados internacionalmente de que facções criminosas estariam atuando como financiadoras de projetos políticos de espectro radical e de esquerda em diversos países da América Latina, configurando o fenômeno da ‘narcopolítica’”.
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Com base nesse entendimento, o líder do PL pede que sejam compartilhados documentos públicos, avaliações técnicas e eventuais informações desclassificadas produzidas por órgãos como a DEA, o FBI e o Departamento de Estado norte-americano.
“Ciente do rigor e da excelência das agências de inteligência e segurança dos Estados Unidos da América no monitoramento global de organizações criminosas e lavagem de dinheiro, solicito o compartilhamento de relatórios públicos, avaliações setoriais desclassificadas ou informações acerca de indícios, investigações concluídas ou evidências relacionadas ao aporte de recursos de facções criminosas no financiamento de campanhas de partidos de esquerda na América Latina, com especial atenção ao Brasil”, justificou Sóstenes na iniciativa.
Tramitação
O requerimento foi protocolado na Credn e dependerá da aprovação do colegiado para que o ofício seja encaminhado oficialmente à representação diplomática dos Estados Unidos em Brasília.
O documento apresentado por Sóstenes está previsto para ser votado na sessão da próxima quarta-feira, 1º de julho, na comissão da Câmara dos Deputados.
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Fonte: Revista Oeste · Por Sarah Peres