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Brasil pode levar até 30 anos para compensar redução da jornada com fim da escala 6x1

Brasil pode levar até 30 anos para compensar redução da jornada com fim da escala 6x1

Brasil Estado | 01/09/2026 às 18:45 | há 1 mês | 5 min de leitura

A produtividade será o principal obstáculo para uma eventual adoção da jornada de 40 horas semanais com o fim da escala 6x1, segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Pelas estimativas da entidade, o Brasil precisaria de 17 a 30 anos para produzir o ganho de eficiência capaz de compensar a redução do tempo de trabalho.

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A projeção, divulgada nesta segunda-feira, 31, considera que as empresas preservariam os atuais níveis de emprego e remuneração. Com menos horas disponíveis, o volume trabalhado diminuiria 7,8%. Para evitar uma queda equivalente na produção, cada hora precisaria render entre 8,3% e 8,5% mais.

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A dificuldade está no ritmo brasileiro. A produção por hora trabalhada avançou, em média, 0,5% ao ano entre 1981 e 2024. Se esse desempenho fosse mantido, o ganho necessário seria alcançado em aproximadamente 17 anos. Com base nos seis anos mais recentes, quando o crescimento médio caiu para 0,28% ao ano, a espera se aproximaria de três décadas.

A projeção ocorre em um momento no qual o Índice de Gerentes de Compras (PMI) da indústria, divulgado nesta terça-feira, 1º, teve uma queda de 47,5 em julho para 46,3 em agosto, a segunda consecutiva e a maior em 40 meses. O índice começa a revelar crescimento a partir da marca de 50.

“Os próximos meses parecem desafiadores, com os fabricantes enfrentando incertezas relacionadas às eleições presidenciais, condições frágeis de demanda e tensões geopolíticas globais ‌contínuas”, afirmou, à Reuters, Pollyanna De Lima, diretora ‌associada de economia ​da S&P Global Market Intelligence

O desempenho internacional ajuda a dimensionar o problema da indústria brasileira. Conforme dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Brasil está na 100ª colocação mundial em produtividade por trabalhador e na 91ª em produtividade por hora. Irlanda, Noruega, Estados Unidos e Bélgica apresentam resultados entre três e seis vezes superiores.

A produtividade, porém, não depende apenas da quantidade de horas trabalhadas. Tecnologia, formação profissional, infraestrutura, inovação e métodos de organização da produção também determinam quanto uma economia consegue gerar com os recursos de que dispõe. Um desempenho fraco nesse indicador reduz o espaço para aumentos salariais, investimentos e ganhos de competitividade, além de poder elevar os custos e pressionar preços.

Ricardo Alban, presidente da CNI, disse que a questão precisa ser examinada para além da duração da jornada. “O desempenho brasileiro mostra que a redução do tempo de trabalho só é sustentável se houver condições que permitam elevar a eficiência econômica", declarou. "O desafio é bem maior do que condensar em menos tempo o mesmo esforço. São necessárias condições estruturais capazes de tornar o trabalho mais eficiente. E esse ainda é um desafio importante para o Brasil."

A exigência também mudaria conforme o setor. A maior necessidade entre as atividades citadas no levantamento seria a da agropecuária, que teria de elevar a produtividade em até 13,6%. No comércio, o avanço necessário chegaria a 10,6%.

Na indústria extrativa, o aumento estimado seria de até 10,4%. Para a construção, chegaria a 9,8%. Já a indústria de transformação precisaria alcançar 9,3%.

A CNI projetou ainda o que poderia ocorrer caso as empresas optassem por diferentes formas de absorver a mudança. No cenário de rejeição, empregadores que não aceitassem o aumento dos custos poderiam dispensar trabalhadores submetidos a jornadas superiores ao novo limite. O contingente de empregos formais passaria de cerca de 41 milhões para 18,9 milhões. A folha de pagamento das empresas sofreria uma redução entre 53,7% e 77,5%.

Outra possibilidade seria a acomodação. Nesse caso, empregados que atualmente trabalham acima do limite seriam substituídos por trabalhadores com remuneração proporcionalmente menor. A massa salarial recuaria entre 2,9% e 6%, o que equivale a uma diminuição de aproximadamente R$ 4,3 bilhões para R$ 7,3 bilhões por mês.

Para Alban, a mudança obrigatória teria efeitos que atingiriam diferentes dimensões do mercado de trabalho. “Não existe redução de jornada imposta por lei que não afete empregos, salários e produção. Nos três cenários, os trabalhadores perdem. Isso pode significar custo por hora mais elevado e exigências de ganho de produtividade imediato, demissões ou substituição de mão de obra, com corte de salário para quem permanece."

Repercussões do fim da escala 6x1 na Indústria

A negociação coletiva já dedica atenção expressiva ao tema. A jornada aparece em 81,5% dos acordos e convenções considerados pelo estudo, mais de 37 mil instrumentos examinados ao longo de 12 meses.

Leia mais: "Preço das máquinas deve subir com fim da escala 6x1"

Em 61,8% deles, as cláusulas dizem respeito diretamente à maneira como o tempo de trabalho é distribuído. São questões como horas extras, compensação, carga horária, intervalos, descansos, turnos, domingos e feriados.

Em outros 31,1%, aparecem consequências da jornada sobre condições de trabalho. O levantamento inclui entre os exemplos adicional noturno, vale-transporte, participação nos lucros e resultados e benefícios.

O estudo mostra, portanto, que a jornada já é objeto de ampla negociação no país e que suas consequências ultrapassam a simples definição do número de horas trabalhadas. A distribuição do tempo, os períodos de descanso e seus reflexos sobre remuneração e benefícios também fazem parte das negociações.

Para a CNI, o ponto central da discussão permanece a capacidade de elevar a eficiência da economia. Sem aumento suficiente da produtividade, a redução das horas trabalhadas terá de ser compensada por mudanças nos custos, na produção, nos salários ou no número de trabalhadores.

O post Fim da escala 6×1: Brasil pode levar até 30 anos para compensar redução da jornada apareceu primeiro em Revista Oeste.

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