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Benedito Gonçalves atuou no TSE na campanha eleitoral e foi relator do processo que tornou Bolsonaro inelegível

Benedito Gonçalves atuou no TSE na campanha eleitoral e foi relator do processo que tornou Bolsonaro inelegível

Brasil Estado | 19/09/2026 às 18:30 | há 3 semanas | 3 min de leitura

Em todos esses anos nessa indústria vital, Benedito Gonçalves tem sido um dos funcionários mais dedicados do regime luloalexandrino. Vejamos, em primeiro lugar, o currículo do homem: no ciclo eleitoral passado, o então ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) censurou conservadores e proibiu Jair Bolsonaro de usar imagens próprias na campanha. Como relator do processo que tornou Bolsonaro inelegível, entregou ao regime o que o regime desejava. Tudo em nome da “democracia”, naturalmente, essa senhora que só sai à rua escoltada por togas esvoaçantes.

Depois, as intimidades. Em 17 de agosto de 2022, na posse de Alexandre de Moraes no TSE, câmeras flagraram Benedito em clima de camaradagem com o Descondenado, que, como quem afaga seu cachorrinho de estimação, aplicou-lhe uma já histórica sequência de seis tapinhas no rosto. O ministro, radiante, respondeu: “Tá tudo em casa, tá tudo em casa”. Nunca a imparcialidade foi tão doméstica.

Em dezembro de 2022, na diplomação de Lula, veio outra pérola — uma das frases que se tornaram símbolo do golpe judicial contra Jair Bolsonaro, ao lado de “derrotamos o bolsonarismo”. Benedito cochichou no ouvido de Moraes, sem reparar nos microfones: “Missão dada é missão cumprida”. Até hoje, nunca lhe pediram uma explicação sobre qual era a missão. A fala, porém, tem a limpidez de uma confissão involuntária. Não é preciso muita imaginação para saber do que se tratava.

https://www.youtube.com/watch?v=8HCO_OBpNIU&pp=ygUbQmVuZWRpdG8gR29uw6dhbHZlcyB0YXBpbmhh

Em janeiro de 2024, um influenciador holandês abordou Felipe Brandão, filho de Benedito, nas ruas de Amsterdã. O rapaz exibiu de bom grado o guarda-roupa: um relógio Richard Mille avaliado em cerca de € 200 mil, tênis Nike em parceria com a Louis Vuitton, jaqueta Prada, pulseira Cartier e bolsa Dior. Somadas, as peças ultrapassavam R$ 1 milhão. O vídeo viralizou, e o que veio a seguir foi a cereja do bolo: uma juíza do Rio de Janeiro mandou retirá-lo do ar por entender que o conteúdo buscava ridicularizar o rapaz e atingir o pai. O mesmo ministro que cerceava conservadores em campanha viu a Justiça acorrer, prestimosa, para proteger a família do constrangimento. Conhecemos esse filme.

Enfim, na qualidade de tão fiel servidor do projeto político ditatorial e corrupto de Lula, Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino e que tais, era óbvio que Benedito seria vorcarizado — ou seja, agraciado com os eventos e mimos oferecidos por Daniel Vorcaro, o grande cafetão da República. E, de fato, segundo reportagem de Fábio Bouéri para Oeste, mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram Benedito tratando Daniel Vorcaro como “amigo” e prometendo estar “sempre à disposição”, com direito a figurinha de aperto de mãos e um “tamo junto sempre”. O mesmo ministro havia estado em Londres na célebre Conspiração do Uísque Macallan, evento bancado pelo banqueiro para algumas das principais autoridades antibolsonaristas da República.

O Brasil de hoje reserva ao cidadão comum o rigor da lei e, a suas excelências, parceiros de putas, goles e charutos, a doçura da conveniência. A disposição para cassar — e caçar — o adversário político com zelo espartano e, ao mesmo tempo, pôr-se “sempre à disposição” de um banqueiro investigado ilustra bem a moral do regime: severidade para os de baixo, cordialidade para os de cima.

Leia também: "Missão dada é missão cumprida", artigo de Ana Paula Henkel publicado na Edição 165 da Revista Oeste

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