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Avanço da direita enfraquece Foro de São Paulo e leva integrantes a questionar resultados eleitorais

Avanço da direita enfraquece Foro de São Paulo e leva integrantes a questionar resultados eleitorais

Brasil Estado | 11/07/2026 às 11:15 | há 3 meses | 3 min de leitura

O avanço da direita em eleições na América Latina tem provocado o enfraquecimento do Foro de São Paulo. Com menos governos aliados no poder, integrantes do grupo têm recorrido a manifestações de rua e à contestação de resultados eleitorais. Em alguns casos, a reação incluiu episódios de violência.

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Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro, cuja coalizão Pacto Histórico é ligada ao Foro de São Paulo, não reconheceu a vitória do direitista Abelardo de la Espriella nas eleições deste ano. Petro convocou manifestações para o próximo dia 20. Espriella suspendeu o processo de transição e acusou o mandatário de tentar orquestrar um "golpe de Estado". O presidente eleito também fez um apelo às Forças Armadas para protegerem a democracia.

Na Bolívia, apoiadores do ex-presidente Evo Morales — também vinculado ao Foro de São Paulo — participaram de protestos contra o governo do presidente Rodrigo Paz, eleito no fim do ano passado. Os atos ocorreram entre maio e junho e incluíram o uso de dinamite. Um cerco a La Paz resultou no desabastecimento da capital.

https://www.youtube.com/shorts/0dOSeS-LReU

Morales, que é investigado por abuso sexual contra uma menor, refugiou-se na região de Chapare e incentivou as manifestações. Em entrevistas, o ex-presidente convocou uma insurreição popular contra o que classificou como governo "neoliberal" e "neocolonial". Paz decretou estado de emergência e determinou a liberação das estradas bloqueadas, o que fez os manifestantes recuarem temporariamente.

Contestação de resultados por setores ligados ao Foro de São Paulo

O analista internacional Cezar Roedel, doutor em Filosofia pela PUCRS e mestre em Relações Internacionais pela UFRGS, avalia que os episódios na Bolívia e na Colômbia seguem um padrão identificável. Segundo ele, há elementos que ligam Morales e o Movimento ao Socialismo (MAS) às mobilizações.

https://www.youtube.com/watch?v=eKim3IJfKkE

"O próprio governo de Rodrigo Paz atribui a Evo Morales a articulação por trás dos bloqueios. A base que sustentou as manifestações, formada por cocaleiros do Chapare e organizações como os 'Ponchos Vermelhos', é justamente o núcleo político que Evo construiu ao longo de décadas", afirmou Roedel ao jornal Gazeta do Povo. "A crise não teve cara de fenômeno espontâneo. Teve endereço partidário bem definido, e esse endereço é o do MAS."

Roedel afirma que os episódios recentes em diferentes países apontam um comportamento recorrente de parte da esquerda latino-americana quando perde espaço institucional ou sofre derrotas eleitorais.

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"Vejo um padrão claro, com intensidades diferentes. Na Venezuela e na Nicarágua a resposta é o enrijecimento autoritário puro. Na Bolívia e no Peru, onde a esquerda já não está no poder, o padrão migra para contestação de resultados e pressão de rua", diz. "O fio condutor é a dificuldade de aceitar a alternância democrática quando o resultado não favorece esses setores."

"Há um enfraquecimento estrutural real, mas seria ingênuo decretar o fim do Foro. A esquerda latino-americana tem histórico de reinvenção discursiva e sabe se adaptar a novos ciclos eleitorais", explica. "Ainda assim, o desgaste é visível: menos recursos, menos coesão ideológica e uma nova geração de eleitores que não se identifica mais com a retórica antiamericana e estatizante do passado."

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*Com informações do jornal Gazeta do Povo

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