Apesar de o Republicanos ter fechado as portas para o senador Cleitinho Azevedo se lançar ao governo de Minas Gerais, apoiadores do parlamentar organizaram uma manifestação nesta sexta-feira, 7, em apoio à eventual candidatura.
Candidatos a deputado por Minas e aliados de Cleitinho farão uma caminhada que sairá de Itaúna (MG) e irá até Divinópolis (MG), na região centro-oeste do Estado. O trajeto tem cerca de 45 quilômetros.
A caminhada em defesa da candidatura de Cleitinho ao Palácio da Liberdade foi convocada pelo ex-prefeito de Divinópolis Gleidson Azevedo (Republicanos) e deve contar com a participação do próprio senador e do ex-prefeito de Patos de Minas (MG) Luís Eduardo Falcão (Republicanos), que era pré-candidato a vice-governador na possível chapa liderada por Cleitinho.
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O ato também terá o apoio do movimento Mulheres Republicanas. Uma das organizadoras da caminhada é a candidata a deputada federal Fernanda Soares.
“O objetivo é mostrar que a população quer que o Cleitinho concorra. As Mulheres Republicanas seguem na frente, unidas pelo propósito de servir Minas Gerais”, afirma Fernanda. “Somos mais fortes, porque caminhamos umas com as outras, com coragem, respeito e compromisso com o nosso povo. Estaremos juntas na grande caminhada em apoio à candidatura do Cleitinho ao governo de Minas, ao lado do vice Falcão.”
Novela termina com crise no Republicanos
Nos últimos meses, a grande incógnita da eleição em Minas Gerais era se Cleitinho seria ou não candidato. Apontado como o maior favorito e naliderança das pesquisas de intenção de voto dos principais institutos, o senador alternava declarações que indicavam que poderia ser candidato, com sinalizações em sentido contrário, gerando insegurança no Republicanos e em legendas aliadas.
Na semana passada, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, colocou um ponto final nas articulações e anunciou que Cleitinho não seria candidato ao governo do Estado. Na ocasião, o dirigente afirmou que a sigla havia esperado pela definição do próprio Cleitinho, que não tomou uma decisão em tempo hábil.
“Não podemos ir para um processo eleitoral como este vivendo tamanha instabilidade. Eu seria irresponsável com o povo de Minas em colocar o Estado nas mãos de uma pessoa que ora pensa uma coisa e, cinco minutos depois, pensa outra”, criticou Pereira durante a convenção nacional do Republicanos, no dia 4.
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“Todo mundo tem direito de repensar e recuar. Eu já recuei muitas vezes, mas não pode ser inconstante nesse nível, em se tratando do bravo Estado de Minas Gerais”, completou. Segundo Pereira, Cleitinho “nunca assumiu o papel de liderança de uma candidatura”.
Depois de oscilar entre assumir ou não a candidatura, Cleitinho comunicou ao partido que quer disputar o governo do Estado. O senador atribuiu as idas e vindas em relação ao pleito de outubro ao luto que vem enfrentando depois da morte de seu irmão, Matheus Azevedo, no dia 18 de julho.
Na última quarta-feira, 5, o Partido Liberal (PL), do senador Flávio Bolsonaro (RJ), que avaliava o possível apoio a Cleitinho para o governo de Minas, lançou a candidatura do empresário Flávio Roscoe (PL), ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).
Minas é Estado-chave da eleição
Segundo maior colégio eleitoral do país, com mais de 16 milhões de eleitores espalhados por 853 municípios, Minas Gerais é uma peça-chave na disputa nacional. Historicamente, quem vence ali acaba conquistando a Presidência da República – foi assim em todos os nove pleitos presidenciais desde a redemocratização, entre 1989 e 2022. Das 13 eleições presidenciais diretas realizadas entre 1945 e 2022, o resultado do Estado coincidiu com o do país em 12.
Minas Gerais é apontado como uma síntese geográfica e econômica da nação, uma espécie de “miniatura” do Brasil dentro do território nacional. Mais pobre, o nordeste de Minas, onde fica o Vale do Jequitinhonha, se assemelha ao Norte e Nordeste do país. Na região oeste do Estado, o Triângulo Mineiro é um grande polo agropecuário e industrial, como o Centro-Oeste do Brasil. O sul de Minas, por sua vez, é mais desenvolvido e muito influenciado por São Paulo, enquanto a Zona da Mata faz divisa e tem forte ligação com o Rio de Janeiro.
Em 2022, por exemplo, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrotou Jair Bolsonaro (PL) por 50,2% a 49,8% no segundo turno em Minas. Em nível nacional, o petista ficou com 50,9% dos votos válidos, ante 49,1% do candidato do PL.
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