A maioria dos senadores eleitos pelo Partido Liberal (PL), que somarão 28 parlamentares em 2027, chegou à Casa em virtude do compromisso com o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), sua principal bandeira.
Há alguns dias, contudo, parte dessa bancada começou a considerar a possibilidade de outras medidas, que não a destituição dos juízes do STF, portanto, um "acordão".
Ouvidos reservadamente por Oeste, outros senadores do PL rejeitaram tirar o assunto da pauta.
A avaliação desses parlamentares é que o resultado das urnas representa uma cobrança por mudanças no tribunal.
Para essa ala do PL, a defesa do impeachment não pode ficar restrita ao palanque. Mesmo outras siglas, que podem ajudar na destituição de magistrados, não querem sentar-se à mesa. "Da minha parte, não haverá trégua", prometeu um senador à coluna.
Um deles observou que a prioridade, agora, será criar condições políticas para que os requerimentos sejam efetivamente analisados.
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O primeiro desafio passa pela eleição para a presidência do Senado, marcada para fevereiro de 2027.
O comando da Casa é considerado decisivo, uma vez que cabe ao presidente receber e dar encaminhamento inicial às denúncias apresentadas contra ministros do STF.
Nesse cenário, a permanência de Davi Alcolumbre (União-AP) é vista por integrantes da oposição como um obstáculo ao avanço dos processos.
Em agosto de 2025, durante uma reunião com líderes partidários, o senador afirmou que não pautaria o impeachment de Moraes nem mesmo se o pedido reunisse as assinaturas dos 81 integrantes da Casa.
A declaração ocorreu em meio à mobilização da oposição, que havia conseguido o apoio de 41 senadores para pressionar pela análise de um requerimento contra o ministro. Apesar das assinaturas, a iniciativa não avançou.
Sucessão de Alcolumbre no centro das articulações
Entre os nomes mencionados nas conversas sobre a próxima presidência do Senado estão Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS).
Marinho, líder da oposição e coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, é uma das principais referências do PL na Casa.
A participação em um eventual governo Flávio, inclusive em um ministério de articulação política, como a Casa Civil, também aparece entre as hipóteses discutidas.
Tereza, por sua vez, surge como alternativa nas articulações entre partidos de direita e centro-direita.
A senadora, ex-ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro, também poderia representar um marco na composição da Mesa Diretora diante da ampliação da bancada feminina.
Decisões recentes de Moraes não afastam cobrança
Outro ponto mencionado nas conversas com parlamentares do PL é a sequência de decisões recentes de Moraes que envolvem integrantes do campo conservador.
Na semana passada, o ministro determinou o arquivamento de uma investigação que incluía o senador Marcos do Val (Avante-RS) e os jornalistas Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio. A decisão ocorreu após manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontou insuficiência de provas para o prosseguimento daquela apuração.
O arquivamento, porém, não encerrou todos os procedimentos que envolvem os investigados.
Também houve decisão favorável à progressão de regime da cabeleireira Débora Rodrigues, conhecida como "Débora do batom", condenada pelo 8 de janeiro de 2023.
Na segunda-feira 12, Moraes autorizou Flávio Bolsonaro a retomar as visitas ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, depois de 90 dias de restrição.
Na avaliação de um senador eleito ouvido por Oeste, essas medidas podem ser "sinal de tentativa de aproximação” com a direita, mas não “suficiente para justificar um entendimento político que impedisse a análise dos pedidos de impeachment".
Leia também: "Virada à direita", reportagem publicada na Edição 344 da Revista Oeste
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