Em depoimento prestado à Polícia Federal (PF) no dia 28 de agosto de 2026, o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, admitiu o pagamento de uma viagem aos parques da Disney, em Orlando (Estados Unidos), para Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) do Banco Central (BC).
O interrogatório de Vorcaro durou quase três horas e foi conduzido pelo delegado Albert Paulo Sérvio de Moura, da PF. O ex-banqueiro participou por meio de videoconferência a partir do 19° Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), a chamada Papudinha. A unidade fica no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
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De acordo com investigações da PF, Vorcaro teria pagado US$ 38 mil (o equivalente a R$ 193,4 mil, pela cotação atual) em serviços de guias VIP para a viagem de Paulo Sérgio à Disney. A informação consta de depoimento de Leonardo Giunchetti às autoridades, na condição de testemunha.
“É importante mencionar como que eu, era a minha postura e isso inclusive não somente nesse caso específico, acho que vai ter outros inquéritos que eu vou poder revelar isso”, diz Vorcaro em seu depoimento. “Eu fui construindo ao longo desses anos uma estrutura institucional de marketing dentro do banco e uma estrutura própria minha, que eu tinha concierge, pessoas que trabalhavam para mim.”
Segundo o dono do Master, “dezenas de pessoas” foram mandadas a Disney, beneficiadas por uma “estrutura para furar filas, para poder ter uma experiência um pouco melhor nos parques”. “Isso já existia, como eu ia várias vezes, foi um dos meus primeiros empregos, foi de ser guia turístico, quando eu tinha 15 anos de idade, então eu acabei desenvolvendo”, afirma Vorcaro.
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“Eu tinha concierges nos EUA, especificamente na Disney, para essa questão de apoio local, assim como eu tinha na Europa. Isso oferecia para dezenas de pessoas, que era uma coisa que estava dentro já de um custo e de uma estrutura que a gente arcava anualmente”, prosseguiu o empresário. “Efetivamente existia um pagamento que era feito para esse tipo de serviço, mas era um pagamento que a gente fazia e que eu enviava a diversas pessoas.”
O ex-banqueiro disse ainda que Paulo Sérgio mencionou que já tinha uma viagem com a família programada para a Disney. Então, o dono do Master achou conveniente fazer um “agrado” ao hoje ex-diretor do BC.
“Em uma determinada reunião, o Sr. Paulo Sérgio menciona que ele já iria fazer, já tinha programado uma viagem com a sua família para a Disney, e aí eu disse, olha, eu tenho um serviço lá de consciência que é interessante para eu pedir para te procurar. Então, obviamente, ali foi um agrado dentro de uma estrutura que eu já possuía ali para dezenas de pessoas”, afirmou Vorcaro.
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‘Eu nem sei o valor’, diz Vorcaro
Questionado se Paulo Sérgio havia ressarcido o valor, Vorcaro disse não se lembrar, mas acreditava que não. “Eu não me recordo, delegado, acredito que não, porque ofereci como um agrado, até porque não era um valor específico, se eu não me engano, para utilização”, afirmou. “Era um serviço que eu tinha que oferecer para muitas pessoas mesmo, amigos, amigos de amigos. Eu oferecia isso porque era uma coisa interessante, inclusive com a família e com os filhos, de se poder fazer.”
O delegado da PF, então, pergunta a Vorcaro qual foi o valor pago para a viagem do ex-diretor do BC à Disney. O dono do Master novamente é evasivo na resposta
“Então, delegado, eu tinha uma estrutura de marketing, no último ano, por exemplo, eu tinha gastado quase 500 milhões de marketing ao todo, incluindo banco e fora do banco. Então, eram valores muito altos, dada a relevância que o banco foi tomando”, diz.
“Então, especificamente nesse caso, eu nem sei o valor, não tinha como mencionar, até porque era um valor, por mais que sejam valores elevados, quando saem para o mercado em geral, dentro do contexto do Banco Master, era um valor irrisório e irrelevante. Na verdade, ele foi um agrado dentro de uma viagem que ele já iria fazer”, completa Vorcaro.
“Como eu disse, por mais relevante individualmente que seja essa questão, dentro do meu contexto, de todas as iniciativas institucionais de marketing, não era relevante”, conclui o ex-banqueiro.
Souza foi alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero, da PF, em março deste ano, por suspeitas de recebimento de propina de Daniel Vorcaro. A PF apontou indícios de que ele atuava “informalmente em favor dos interesses da instituição financeira submetida à supervisão da própria autarquia” e prestava “consultoria informal e contínua” a Vorcaro. Souza foi afastado do BC.
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O post Viagem à Disney foi ‘agrado’ a ex-diretor do BC, diz Vorcaro apareceu primeiro em Revista Oeste.