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Volkswagen reduzirá pela metade a oferta de modelos para cortar custos

Volkswagen reduzirá pela metade a oferta de modelos para cortar custos

Brasil Estado | 10/07/2026 às 13:01 | há 3 meses | 5 min de leitura

A Volkswagen anunciou, nesta quinta-feira, 9, que reduzirá em até 50% a quantidade de modelos oferecidos ao mercado como parte de uma ampla estratégia para cortar custos e enfrentar o avanço das montadoras da China. A companhia também informou que pretende diminuir sua produção anual, mas evitou detalhar os impactos da reestruturação sobre empregos e unidades industriais.

O plano foi aprovado pelo conselho de supervisão da empresa e representa uma tentativa de simplificar a estrutura do grupo em meio à transição da indústria automotiva para os veículos elétricos. A medida ocorre à medida que fabricantes tradicionais enfrentam crescente pressão de concorrentes chinesas, que ampliaram participação no mercado global com modelos eletrificados e preços mais competitivos.

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Nos últimos dias, veículos da imprensa alemã noticiaram que a Volkswagen estudava eliminar até 100 mil postos de trabalho até o fim da década e fechar quatro fábricas na Europa. A empresa não confirmou essas informações nem apresentou um cronograma para eventuais mudanças.

BYD é uma das marcas chinesas em ascensão mundial | Foto: Divulgação/ BYD

Em uma declaração em vídeo, o CEO da Volkswagen, Oliver Blume, afirmou que a empresa precisa "eliminar a capacidade excedente". Segundo ele, "a situação geopolítica se tornou mais crítica nos últimos 12 meses", e "os próximos anos decidirão quem desempenhará um papel decisivo na indústria automotiva".

A montadora informou que sua meta passou a ser produzir 9 milhões de veículos por ano. Antes da pandemia, a previsão era de 12 milhões de unidades anuais. Mais recentemente, esse objetivo havia sido reduzido para 10 milhões.

Especialistas avaliam que o anúncio deixou questões importantes em aberto. "As perguntas mais urgentes não foram respondidas hoje pelo conselho de supervisão", afirmou Ferdinand Dudenhöffer, diretor do Center Automotive Research, em Bochum. "A insegurança permanece."

Logotipo do gigante automotivo alemão Volkswagen | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Estrutura complexa e queda nos resultados da Volkswagen

O grupo Volkswagen reúne marcas como Volkswagen, Audi, Porsche, Skoda, Lamborghini e Bentley, além de controlar 88% da Traton, responsável por fabricantes de caminhões como MAN, Scania e International. A empresa possui 111 unidades de produção distribuídas por todos os continentes, com exceção da Austrália e da Antártida.

Analistas revelam que parte das marcas do grupo disputa segmentos semelhantes, oferecendo veículos com poucas diferenças de design e equipamentos, o que amplia os custos operacionais. Outras montadoras, como General Motors e Ford, simplificaram seus portfólios há anos ao encerrar marcas consideradas redundantes.

A necessidade de ajustes ganhou força diante da deterioração dos resultados financeiros. No primeiro trimestre, o lucro da Volkswagen caiu 28%, para € 1,6 bilhão, enquanto as vendas recuaram 2%.

Também pesa sobre o grupo o desempenho da Porsche, uma das principais fontes de lucro da companhia. A fabricante foi afetada pelas tarifas de 25% impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre veículos importados. Todos os modelos da marca destinados ao mercado norte-americano são produzidos na Alemanha.

O presidente dos EUA, Donald Trump; tarifas de 25% prejudicaram Volkswagen | Foto: Reprodução/X

Funcionários demonstram preocupação

Embora a empresa não tenha anunciado demissões, o clima entre os empregados é de apreensão, especialmente em unidades apontadas como vulneráveis ao fechamento. Na fábrica da Audi em Neckarsulm, no sudoeste da Alemanha, onde trabalham cerca de 15 mil pessoas, moradores afirmam que um eventual encerramento das atividades teria forte impacto sobre a economia local.

"Se a Audi morrer, tudo aqui morre", disse Cayli Halin, de 54 anos, funcionária do centro de testes da unidade, ao jornal norte-americano The New York Times.

Ali Alp Cagan, profissional de tecnologia da informação da Audi, afirmou não temer perder o emprego, mas reconheceu o ambiente de incerteza. "De forma geral, porém, o clima já é de nervosismo", declarou.

Segundo ele e outros empregados da fábrica, a empresa perdeu competitividade por deixar de inovar, enquanto fabricantes chinesas passaram a oferecer veículos mais modernos e baratos.

Porsche é uma das principais fontes de lucro da montadora alemã | Foto: Divulgação/Porsche

Concorrência chinesa pressiona montadoras tradicionais

As dificuldades enfrentadas pela Volkswagen refletem um cenário mais amplo na indústria automobilística mundial. Fabricantes tradicionais da Europa, dos Estados Unidos e do Japão disputam espaço com empresas chinesas como BYD e Geely, que ganharam mercado graças aos investimentos em veículos elétricos apoiados por subsídios do governo chinês.

Em maio, as montadoras chinesas venderam, na União Europeia (UE) e no Reino Unido, mais veículos do que todas as fabricantes japonesas juntas. Atualmente, cerca de um de cada cinco carros novos comercializados na Europa é elétrico.

A Volkswagen também perdeu espaço em seu principal mercado internacional. As vendas da empresa na China caíram 20% no primeiro trimestre, ampliando uma sequência de retrações registrada nos últimos anos.

Diante desse cenário, o governo do chanceler Friedrich Merz busca fortalecer a indústria automobilística alemã por meio de incentivos e da defesa de regras mais flexíveis na UE. Na semana passada, o porta-voz do governo, Stefan Kornelius, afirmou que "nosso objetivo é evitar o fechamento de fábricas na Alemanha".

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