A Viking Participações, empresa de Daniel Vorcaro que firmou um contrato de R$ 50 milhões com o escritório Barci de Moraes Associados, da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, foi condenada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por fraude envolvendo a emissão de cotas de um fundo imobiliário.
Em decisão tomada no dia 8, a CVM concluiu que a Viking atuou como uma “empresa de passagem” usada para inflar ou direcionar artificialmente o valor de ativos negociados no mercado financeiro, inclusive com fundos de pensão de Estados e municípios.
A empresa foi condenada ao pagamento de multa de R$ 10 milhões. Vorcaro também foi condenado no mesmo processo e recebeu multa de R$ 20 milhões.
A Viking é uma holding patrimonial de Vorcaro e detinha aeronaves utilizadas pelo ex-dono do Banco Master. Em maio de 2025, a empresa firmou um contrato de R$ 50 milhões com o escritório de Viviane.
Pelo acordo, R$ 40 milhões seriam pagos por meio de cotas de um jato Legacy 650 e de um helicóptero Airbus EC 155 B1. Segundo mensagens incluídas em relatório da Polícia Federal, as aeronaves chegaram a ser utilizadas por Viviane.
Além do contrato de Vorcaro com mulher de Moraes: os documentos da investigação do caso Master
O relatório, tornado público depois de decisão do ministro André Mendonça, também reúne mensagens trocadas entre Vorcaro e Alexandre de Moraes. Segundo o documento, as conversas mostram a organização de encontros entre os dois e tratativas relacionadas ao caso Master.
As mensagens também sinalizam que o contrato da Viking foi firmado enquanto ainda estavam sendo pagas parcelas de um primeiro acordo entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes.
Esse primeiro contrato, no valor de R$ 131 milhões, previa a atuação do escritório perante órgãos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além da Polícia Federal. Entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, foram pagos R$ 80,2 milhões.
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Segundo o material obtido pela PF, versões dos dois contratos estavam armazenadas em arquivos PDF e uma das mensagens indicaria participação de Moraes na edição da versão final do primeiro documento.
Depois da divulgação do relatório da PF, o escritório de Viviane afirmou, em nota, que não firmou outro contrato com o Banco Master além do primeiro acordo, que, segundo a banca, “foi extinto com a liquidação” da instituição.
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