O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quarta-feira, 16, que a crise entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) preocupa a direção da legenda.
Em entrevista à TV Brasília, ele defendeu a união do partido, minimizou os resultados da pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana e disse esperar uma reconciliação entre os dois.
Ao comentar o levantamento, Valdemar afirmou que não acredita nos números apresentados. A pesquisa mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente de Flávio Bolsonaro em um eventual primeiro turno da eleição presidencial, com 40% das intenções de voto, contra 28% do senador.
"Eu não acredito nessa pesquisa", disse. "A Quaest é uma empresa séria, mas essa pesquisa, precisa ver. Achei até que tivesse sido feita só no Nordeste. Esses números não batem com as pesquisas que nós temos diariamente. O Lula teve uma pequena queda, não sei se por causa do Jacques Wagner, porque perdeu muito no Nordeste".
Valdemar disse que o partido acompanha diariamente pesquisas internas, conhecidas como "trackings", e sustentou que os resultados obtidos pela legenda diferem dos divulgados pela Quaest. Esses levantamentos são utilizados para orientar estratégias eleitorais e, por serem de uso interno, não são divulgados nem precisam seguir as regras de registro aplicáveis às pesquisas eleitorais públicas.
O levantamento da Genial/Quaest ouviu 2.004 pessoas entre os dias 10 e 13 de julho. Contratada pelo Banco Genial, a pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07181/2026.
Valdemar defende permanência de Michelle no PL
O dirigente afirmou que o partido precisa evitar divisões internas em um momento decisivo para a definição das estratégias eleitorais e classificou Michelle Bolsonaro como uma peça fundamental para a legenda.
"Não podemos ter o nosso pessoal dividido. Em campanha, a gente faz qualquer coisa para ganhar a eleição. Às vezes, até convive com pessoas de quem não gosta. Nós não podemos perder uma pessoa como a Michelle", disse.
O conflito entre Michelle e Flávio ganhou força no fim de junho. No dia 24, a ex-primeira-dama publicou um vídeo expondo divergências com o enteado. No dia seguinte, o senador pediu desculpas e negou ter pretendido ofendê-la. Em 30 de junho, Michelle anunciou que deixaria a presidência do PL Mulher para dedicar mais tempo à família.
Valdemar lamentou a decisão e afirmou que a saída representa uma perda para o partido. Segundo ele, Michelle foi responsável por estruturar o PL Mulher em todo o país.
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"Michelle decidiu sair da presidência do PL Mulher. Para nós, é um grande prejuízo, porque ela construiu o PL Mulher. Ela construiu uma base grande no Brasil, em todos os Estados, fez um trabalho maravilhoso. Eu ainda tenho esperança de que eles se entendam, porque nós não podemos brigar entre nós. Os dois têm dificuldade há muito tempo", declarou.
O presidente do PL também afirmou que considera Michelle uma candidata competitiva ao Senado e disse que sua eventual ausência nas eleições seria um prejuízo para a legenda.
"Para mim, ela deve ser candidata ao Senado. Para o partido, ela não tem preço, porque está eleita. Se ela não for candidata, é um senador a menos. Um senador a gente dá a vida para ter. Ela tem uma eleição garantida hoje, pelas pesquisas. É um prejuízo muito grande para nós se ela não participar da campanha. A Michelle não é uma cidadã comum", afirmou.
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