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Trump condiciona acordo nuclear com Arábia Saudita à adesão aos Acordos de Abraão

Trump condiciona acordo nuclear com Arábia Saudita à adesão aos Acordos de Abraão

Brasil Estado | 23/07/2026 às 11:30 | há 2 meses | 3 min de leitura

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, condicionou nesta quinta-feira, 23, o acordo nuclear com a Arábia Saudita à adesão do país aos Acordos de Abraão. O anúncio ocorreu um dia depois da aprovação formal do pacto.

Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que o acordo "será aprovado", mas acrescentou que ele "depende totalmente da adesão da Arábia Saudita aos muito respeitados e bem-sucedidos Acordos de Abraão".



Nesta quarta-feira, 22, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, e seu homólogo saudita assinaram o tratado. O pacto autoriza um programa nuclear saudita para fins civis. No entanto, a Arábia Saudita resiste à adesão aos Acordos de Abraão, que promovem a normalização das relações entre Israel e países árabes.

O acordo recebeu críticas de autoridades israelenses e despertou atenção do Congresso dos EUA. Trump também afirmou que não haverá “nenhum enriquecimento” de material nuclear.

Os Acordos de Abraão

Criados em 2020, os Acordos de Abraão foram assinados inicialmente por Emirados Árabes Unidos e Bahrein. Depois, Sudão e Marrocos aderiram ao pacto. Os países passaram a manter relações diplomáticas e comerciais com Israel sem a criação de um Estado palestino.

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Cada signatário recebeu incentivos específicos dos EUA. Entre eles estão a venda de armamentos aos Emirados Árabes Unidos, o reconhecimento da soberania marroquina sobre o Saara Ocidental e a retirada do Sudão da lista de Estados Patrocinadores do Terrorismo.

Washington considera a entrada da Arábia Saudita prioridade na iniciativa. A capital saudita, Riad, porém, exige um acordo de defesa mútua com os EUA nos moldes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) antes de avançar nas negociações. Os EUA também buscam incluir Catar e Paquistão, mas ambos enfrentam obstáculos diplomáticos e políticos.

O tratado nuclear com a Arábia Saudita

O acordo nuclear terá validade de 30 anos. Empresas norte-americanas fornecerão tecnologia e serviços para a infraestrutura saudita. O texto dispensa o "padrão-ouro" de supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e adota um sistema bilateral de salvaguardas. Apesar de assinado, o Conselho de Governadores da AIEA ainda precisa ratificar o tratado.

Leia também: "Trump assina acordo nuclear com a Arábia Saudita"

Antes do enriquecimento de combustível, porém, autoridades dos dois países avaliarão a viabilidade comercial do projeto. Os EUA construirão as instalações sem transferir tecnologias sensíveis. O tratado proíbe a Arábia Saudita de desenvolver ou adquirir tecnologia própria de enriquecimento por dez anos.

Defensores do pacto afirmam que a parceria fortalecerá a economia norte-americana e reduzirá a influência de Rússia e China na região. Israel, por outro lado, acompanha o acordo com cautela por causa da tecnologia nuclear concedida aos sauditas.

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