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TCU aponta irregularidades em 82% das emendas Pix auditadas

TCU aponta irregularidades em 82% das emendas Pix auditadas

Brasil Estado | 30/07/2026 às 16:15 | há 2 meses | 2 min de leitura

O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou irregularidades em 82% das “emendas Pix” analisadas em uma auditoria que avaliou os repasses realizados entre 2020 e 2024. O levantamento estimou um prejuízo de quase R$ 50 milhões aos cofres públicos.

A auditoria realizada pela Corte de Contas agora será encaminhada ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das ações que discutem a transparência e a constitucionalidade das emendas parlamentares.

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O ministro Flávio Dino, do STF | Foto: Rosinei Coutinho/STF)

A fiscalização examinou uma amostra de 100 transferências especiais, modalidade conhecida como “emendas Pix”, destinadas a 73 municípios e aos Estados de São Paulo e Pará. Segundo o TCU, as irregularidades atingiram 82,4% dos entes beneficiados e representam cerca de um quarto dos R$ 198,1 milhões fiscalizados.

O trabalho foi realizado por determinação de Dino e integra o conjunto de medidas adotadas pelo STF para ampliar o controle sobre a execução das emendas parlamentares. 

Na quarta-feira 29, o ministro também determinou que o governo federal, a Câmara dos Deputados e o Senado apresentem, em até dez dias, uma proposta para definir as responsabilidades de cada órgão na fiscalização desses recursos.

Principais irregularidades encontradas

  • Falhas de transparência e rastreabilidade, como movimentação de recursos em contas não exclusivas e ausência de prestação de contas no Transferegov.br (prejuízo estimado: R$ 26,36 milhões);
  • Pagamentos sem documentação considerada adequada, despesas incompatíveis com a finalidade das emendas e falta de comprovação da execução de serviços (R$ 14,96 milhões);
  • Obras parcialmente ou totalmente não executadas e indícios de superfaturamento (R$ 14,1 milhões);
  • Fraudes em licitações e contratação de empresas declaradas inidôneas, sem estimativa de impacto financeiro.
https://www.youtube.com/watch?v=NMF06GhUUtM

Fragilidades no sistema

Além das irregularidades na aplicação dos recursos, os auditores identificaram vulnerabilidades no módulo de transferências especiais do Transferegov.br, plataforma utilizada para acompanhar a execução das emendas.

Entre os problemas apontados estão a possibilidade de alteração de planos de trabalho após o registro inicial, o uso de descrições genéricas para os objetos financiados e inconsistências na exibição dos saldos bancários, fatores que, segundo o tribunal, comprometem a rastreabilidade dos recursos.

Diante das conclusões da auditoria, o plenário do TCU determinou que o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) promova, no prazo de 120 dias, ajustes no sistema para reforçar os mecanismos de controle e impedir alterações posteriores nos planos de trabalho das transferências especiais realizadas entre 2020 e 2024.

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