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Tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor

Tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor

Brasil Estado | 22/07/2026 às 07:45 | há 2 meses | 3 min de leitura

A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte das importações brasileiras começou a valer à 1h01 desta quarta-feira, 22, no horário de Brasília. A medida foi oficializada pelo governo do presidente Donald Trump na semana passada e incide sobre diversos produtos exportados pelo Brasil, com potencial de provocar perdas de até US$ 11 bilhões nas vendas ao mercado norte-americano.

A decisão foi anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que concluiu uma investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo o governo norte-americano, o Brasil mantém práticas comerciais consideradas desleais em temas como comércio digital, acesso ao mercado de etanol, políticas relacionadas ao Pix e ações de combate ao desmatamento.

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A sobretaxa será aplicada às mercadorias importadas ou retiradas de armazéns para consumo a partir desta quarta-feira. Produtos embarcados antes do início da vigência ficarão dispensados da cobrança extra, desde que cheguem aos Estados Unidos até 29 de julho.

Supermercado nos Estados Unidos, carne bovina está isenta do tarifaço | FOTO: REUTERS/Mike Segar

A nova tarifa será cobrada além das alíquotas de importação já existentes. Na prática, um produto que atualmente paga 5% de imposto passará a recolher 30% para ingressar no mercado norte-americano.

Produtos poupados da tarifa

Apesar do endurecimento da política comercial, Washington excluiu mais de 2,1 mil produtos da lista atingida. A medida busca reduzir impactos sobre a economia dos EUA e evitar interrupções em cadeias de suprimentos consideradas estratégicas.

Entre os itens isentos estão alguns dos principais produtos de exportação brasileira, como carne bovina, café, laranja e suco de laranja, petróleo bruto e derivados, aeronaves civis, motores e peças para aviões, além de computadores, celulares, semicondutores, vacinas, insulina, fertilizantes e minério de ferro.

O agronegócio brasileiro é um dos principais motores das exportações nacionais | Foto: Reprodução/Canva Pro

Já a tarifa adicional alcançará produtos como etanol de cana-de-açúcar, outros biocombustíveis, celulose branqueada, aço e alumínio semiacabados, máquinas agrícolas, equipamentos de mineração, transformadores elétricos, calçados, móveis de madeira, pisos, revestimentos, rochas ornamentais, vestuário e tecidos.

Governo Lula descarta retaliação imediata

O Congresso aprovou, em abril de 2025, a Lei da Reciprocidade Econômica, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em julho do mesmo ano. A norma autoriza o governo brasileiro a adotar contramedidas diante de barreiras comerciais impostas por outros países.

Mesmo com a nova tarifa dos Estados Unidos, o Palácio do Planalto sinalizou que não pretende recorrer à legislação neste momento. Nesta terça-feira, 21, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) defendeu cautela diante da possibilidade de uma resposta comercial.

Em 2025, Lula adotou o discurso de reciprocidade e aumento de tarifas para os EUA | Foto: Ricardo Stuckert/PR/@LulaOficial

“Foi aprovada a Lei da Reciprocidade por unanimidade. A ideia não é retaliação. Olho por olho, pode acontecer de os dois ficarem cegos”, afirmou Alckmin, depois de reunião com representantes dos setores exportadores.

Segundo o governo federal, cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos serão afetadas pela medida. De acordo com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio França, isso representa aproximadamente US$ 7,4 bilhões em embarques, considerando os dados de 2024.

Para reduzir os efeitos da sobretaxa, Alckmin informou que o governo prepara um programa de apoio voltado aos segmentos mais impactados pela decisão norte-americana.

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