Confirmando o favoritismo apontado pelos principais institutos de pesquisa ao longo das últimas semanas, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi reeleito já no 1° turno com boa vantagem sobre o principal adversário, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT).
Com 90,02% das urnas apuradas em todo o Estado, Tarcísio tem 62,85% dos votos válidos (que não contam os brancos e nulos), de acordo com dados do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). Ele não pode mais ser alcançado pelo petista e está matematicamente reeleito para um segundo mandato de quatro anos.
Esta é a segunda vitória de Tarcísio em uma disputa eleitoral. A primeira ocorreu em 2022, quando disputou sua primeira eleição e foi eleito para o Palácio dos Bandeirantes. Na ocasião, a vitória veio no segundo turno contra o mesmo Fernando Haddad.
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A trajetória de Tarcísio de Freitas, governador reeleito de SP
Tarcísio Gomes de Freitas nasceu no Rio de Janeiro, tem 51 anos, é engenheiro militar e ex-ministro da Infraestrutura do governo de Jair Bolsonaro (2019-2022). De perfil técnico, o agora governador reeleito de São Paulo ganhou projeção nacional durante a gestão Bolsonaro e foi reconhecido até pelos adversários do ex-presidente como um gestor eficiente, “tocador de obras” e realizador.
Escolhido pelo próprio Bolsonaro, em 2022, para disputar o governo paulista, Tarcísio apareceu como “azarão” naquele pleito, mas logo ganhou tração e se revelou uma escolha acertada de seu mentor político. Foi o candidato mais votado no primeiro e no segundo turnos e manteve níveis de aprovação elevados durante praticamente todo o mandato à frente do Palácio dos Bandeirantes.
A principal marca do primeiro governo Tarcísio em São Paulo foi a privatização da Sabesp, concluída em 2024. O Estado manteve participação minoritária e poder de veto em decisões estratégicas da companhia.
Segundo Tarcísio, a operação foi fundamental para acelerar a universalização do saneamento até 2029 e viabilizar cerca de R$ 66 bilhões em investimentos. A desestatização foi fortemente criticada por sindicatos, movimentos sociais e partidos de oposição, como o PT de Haddad, que apontaram supostos impactos sobre tarifas e a qualidade do serviço.
Antes de mergulhar na política, Tarcísio fez carreira militar. Ele se formou em Ciências Militares, pela Academia Militar das Agulhas Negras, e em Engenharia Civil, pelo Instituto Militar de Engenharia. O governador paulista tem especializações em gestão de projetos e engenharia de transportes e participou da missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, entre 2005 e 2006.
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Em 2008, depois de deixar o Exército, Tarcísio entrou na Controladoria-Geral da União (CGU). Ainda no setor público, foi diretor-executivo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), entre 2014 e 2015, durante o segundo governo da então presidente Dilma Rousseff (PT).
Depois do impeachment da petista, em 2016, Tarcísio foi secretário de Coordenação de projetos da Secretaria Especial do Programa de Parceria de Investimentos (PPI), responsável pelo programa de privatizações, concessões e desestatizações no governo do ex-presidente Michel Temer (MDB), entre 2016 e 2018.
Ao se destacar nos governos Dilma e Temer, chamou atenção de Bolsonaro, que o convidou para liderar o Ministério da Infraestrutura, a partir de janeiro de 2019. Àquela altura, Tarcísio não era sequer filiado a algum partido – foi uma indicação técnica, sem interferência de grupos políticos.
Como ministro da Infraestrutura, Tarcísio conquistou o respeito dos agentes políticos e a confiança de Bolsonaro e do mercado financeiro. Sob sua gestão, mais de 80 ativos foram a leilão, entre os quais aeroportos, portos, ferrovias e rodovias. Mais de R$ 100 bilhões em investimentos privados estão previstos.
Sua presença constante em diversos leilões na Bolsa de Valores do Brasil (B3) renderam a Tarcísio apelidos como “Tarcisão do Asfalto”, uma alusão à trajetória no setor de obras e infraestrutura.
Além da Sabesp, o governo Tarcísio fez uma série de concessões de rodovias, ferrovias e projetos de mobilidade urbana. Um dos principais projetos é a concessão do trecho norte do Rodoanel, tratado como vitrine de sua administração em São Paulo, com investimentos previstos de R$ 3,4 bilhões. Outro ponto alto da gestão foi a retomada das obras da Linha 6-Laranja do Metrô.
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2ª vitória em palco nacional
Maior colégio eleitoral do país, com mais de 34 milhões de eleitores, o Estado de São Paulo concentrou as atenções na eleição de 2026 por seu peso político-econômico e pela visibilidade nacional que dá ao titular do Poder Executivo.
Neste ano, seis candidaturas foram homologadas no maior colégio eleitoral do país, mas apenas as de Tarcísio e Haddad eram realmente competitivas. Com apenas dois candidatos com chances reais de vitória, a eleição em São Paulo se transformou praticamente em uma disputa de segundo turno já no primeiro.
O embate entre Tarcísio e Haddad reeditou o confronto do pleito de 2022 e, segundo analistas políticos, pode ter sido uma espécie de antecipação de um eventual duelo pela Presidência da República em 2030, a depender do que ocorrer no cenário nacional até lá.
Tarcísio contou com a maior coligação de partidos e o maior tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão (6min20s). Ex-ministro da Infraestrutura do governo de Jair Bolsonaro, o governador de São Paulo foi apoiado pelo senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República. Ele também teve o apoio do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB).
Haddad tem 4ª derrota eleitoral consecutiva
Reunindo uma coligação de sete partidos políticos, Fernando Haddad unificou a esquerda em torno do seu nome na corrida pelo governo do Estado. O petista teve o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) – que foi por quatro vezes governador do Estado. Também integraram a chapa as ex-senadoras e ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). Haddad teve 2min39s de propaganda eleitoral no rádio e na TV.
Em 2026, o apoio de Lula e Alckmin não trouxe resultados positivos para Haddad. Em nenhum momento da campanha, o candidato do PT conseguiu ameaçar o favoritismo de Tarcísio, que se manteve estável nas pesquisas e com uma dianteira que oscilou entre 15 e 20 pontos porcentuais tanto nas simulações de primeiro quanto nas de segundo turno.
Ao contrário do que aconteceu há quatro anos, quando teve um desempenho considerado positivo e até surpreendente para grande parte dos analistas, desta vez o candidato do PT não fez frente ao governador de São Paulo, que liquidou a fatura já na votação deste domingo.
Esta é a quarta derrota eleitoral consecutiva de Haddad. Antes de perder em 2026, ele foi batido em 2022 (para Tarcísio, também para o governo de São Paulo), em 2018 (por Jair Bolsonaro, para a Presidência da República) e 2016 (por João Doria, para a Prefeitura de São Paulo, no primeiro turno).
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