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Sistema de plantio com feijão dobra carbono no solo, diz Embrapa
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Sistema de plantio com feijão dobra carbono no solo, diz Embrapa

Brasil Estado | 02/05/2026 às 09:35 | há 5 meses | 4 min de leitura

Experimento da Embrapa Arroz e Feijão realizado durante 6 anos, em Santo Antônio de Goiás (GO), mostrou que o SAF (Sistema Agroflorestal) dobrou o carbono estocado no solo em comparação ao cultivo convencional de soja e milho, com acúmulo de 2,24 toneladas por hectare ao ano. No mesmo período, o feijoeiro cultivado nas entrelinhas das árvores produziu mais de 1.000 kg por hectare.

Na área avaliada, o carbono orgânico do solo passou de cerca de 14 para mais de 27 toneladas por hectare, na camada de 0 a 20 centímetros, depois da substituição do sistema de rotação anual de milho e soja pelo SAF. O resultado está associado à maior produção de biomassa e ao aporte contínuo de matéria orgânica ao solo, proporcionados pelas espécies arbóreas e pelo uso de adubos verdes no sistema.

O experimento, desenvolvido na Fazenda Capivara, sede da unidade, em uma área de 1 hectare, foi conduzido da seguinte forma: primeiro plantou-se mudas de árvores nativas do Cerrado em fileiras, como aroeira, cagaita e baru; na sequência, foram semeados adubos verdes, como a crotalária, no início da safra das águas, nas entrelinhas das espécies florestais, depois do preparo do solo.

Em seguida, a crotalária foi cortada mecanicamente e o feijão cultivado em plantio direto. Na entressafra, um novo plantio de crotalária era realizado, com novo preparo do solo. Esse manejo foi repetido ao longo de 6 anos, até que o crescimento das árvores passou a impedir o cultivo agrícola nas entrelinhas.

Desde o início do arranjo produtivo, foram adotados princípios agroecológicos. Durante o cultivo, o controle de plantas espontâneas foi feito manualmente. Adubos orgânicos, fertilizantes organominerais e biofertilizantes foram utilizados para repor nutrientes no solo.

O pesquisador Agostinho Didonet, idealizador do sistema, destaca os resultados do experimento de longa duração.

“A produção de feijão comum em um SAF é perfeitamente viável, contribuindo para a segurança alimentar. Apesar de a crotalária não afetar diretamente a produtividade do grão, o rendimento em torno de 1 tonelada por hectare representa um bom resultado para a safra de verão em sistemas agroecológicos no Cerrado, que dependem apenas da água da chuva”, disse.

Produção aliada à sustentabilidade

O pesquisador acrescenta que os adubos verdes, como a crotalária, contribuem para a produção de matéria orgânica e para o aumento do carbono no solo ao longo do tempo, especialmente nas entrelinhas das árvores.

“A taxa de acúmulo de carbono orgânico no perfil do solo, entre 0 e 20 centímetros de profundidade, foi de aproximadamente 2,24 toneladas por hectare ao ano, ao longo de 6 anos”, enfatiza.

De forma semelhante, Didonet destaca o papel das árvores no sistema. Na linha de plantio das espécies nativas do Cerrado, a taxa de acúmulo de carbono orgânico no solo chegou a 2,43 toneladas por hectare ao ano. Nesse componente, o aumento da matéria orgânica está associado aos resíduos vegetais depositados no solo, principalmente folhas e galhos.

A formação dessa camada de restos vegetais —conhecida como serapilheira— e sua decomposição são responsáveis pela transferência de nutrientes para o solo, permitindo sua reciclagem e retorno ao sistema.

Inspiração para novos modelos

Segundo o pesquisador, o trabalho tem inspirado a implantação de sistemas semelhantes.

“Em parceria com a Emater Goiás e a UFG (Universidade Federal de Goiás), o modelo do SAF, composto por grãos e espécies arbóreas e frutíferas do Cerrado, já foi replicado e permanece estruturado em propriedades rurais em vários municípios do interior do estado de Goiás, o que demonstra a eficácia do trabalho conjunto”, complementa.

A pesquisadora da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO) Márcia Carvalho, que atua no monitoramento do papel estratégico de sistemas de produção para o enfretamento à mudança do clima, pontua que o SAF, como o implementado pela Embrapa em Goiás, é capaz de melhorar a biodiversidade e o microclima do sistema de produção diante de aumentos de temperatura e seca no Cerrado.

“Além de garantir retorno econômico em curto e longo prazos e capturar carbono da atmosfera por meio das plantas para o solo”, afirma.

Nesse sentido, ela lembra que o SAF, quando manejado sob princípios agroecológicos, pode adquirir múltiplas funções e ser utilizado para a recuperação de nascentes, recomposição de mata ciliar, fornecer energia (lenha e carvão), madeira, abrigo para animais, aves, insetos e polinizadores.

“Além disso, pode melhorar a paisagem e microclima local, e contribuir para a preservação da biodiversidade nativa do Cerrado, garantindo segurança alimentar”, conclui.


Este texto foi publicado originalmente pela Agência Embrapa, em 28 de abril de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.

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Este conteúdo é originalmente de poder 360. Para a reportagem completa com todos os detalhes, acesse:
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Fonte: poder 360 · Por Poder360 ·

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