O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, participou da articulação para a construção de uma obra de R$ 53 milhões no Aeroporto de Barra do Corda, no Maranhão, localizado a cerca de 14 quilômetros, em linha reta, de uma fazenda ligada a atividades rurais do ministro.
Vital é irmão do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), candidato à reeleição na Paraíba, com apoio declarado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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Veneziano está no Senado desde 2019 e disputa novamente uma das vagas destinadas ao Estado nas eleições de outubro. Em junho, Lula gravou um vídeo em que pediu diretamente aos paraibanos que reconduzissem o senador ao cargo.
“Poucas vezes na vida, eu, como presidente da República, tive um senador com uma relação honesta e comprometida de ajudar o governo como eu tenho com Veneziano”, afirmou o petista.
Vital do Rêgo, por sua vez, chegou ao TCU em 2014, depois de exercer os cargos de deputado federal e senador pela Paraíba. Apesar da trajetória política no Estado, o ministro mantém atividades rurais no Maranhão, onde estão as propriedades relacionadas às operações de crédito rural identificadas nos dados do Banco Central.
Ministro do TCU diz que sonhava com o aeroporto
A modernização do Aeroporto de Barra do Corda prevê R$ 53 milhões em recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil. Vital participou de reuniões sobre o projeto e da cerimônia de assinatura do termo de compromisso, etapa que marcou o início formal do empreendimento.
Durante o evento, ao lado do ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, Vital afirmou que “sonhava” com a obra havia mais de uma década, quando ainda era deputado federal pela Paraíba.
“Não é apenas para Barra do Corda, é parte de uma política voltada para a aviação regional no Brasil, que tem um papel estratégico pela sua importância”, declarou o presidente do TCU.
O governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB), também destacou o potencial econômico do empreendimento. “Esse aeroporto vai servir para desenvolver o agronegócio, a indústria, o comércio e, acima de tudo, salvar vidas”, afirmou em vídeo publicado nas redes sociais.
Uma das fazendas relacionadas às atividades de Vital fica em Barra do Corda, a cerca de 21 quilômetros do aeroporto por estrada e 14 quilômetros em linha reta. A propriedade tem 314 hectares, área equivalente a aproximadamente 440 campos de futebol, e está registrada em nome de um terceiro.
Dados do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro, do Banco Central, apontam operações de crédito rural relacionadas a Vital do Rêgo e ancoradas na propriedade em 2024 e 2026.
Em Tuntum, município vizinho a Barra do Corda, há ainda duas fazendas relacionadas às atividades rurais do ministro: Santa Clara e Vitória I. As propriedades ficam a pouco mais de 38 quilômetros do aeroporto por estrada, ou cerca de 30 quilômetros em linha reta, e somam mais de 1,6 mil hectares.
Prefeito chamou Vital do Rêgo de "entusiasta" da obra
Em agosto de 2025, o prefeito de Barra do Corda, Rigo Teles, divulgou que esteve em Brasília para tratar do projeto. Na ocasião, além de agenda no Ministério de Portos e Aeroportos, Teles e o governador Carlos Brandão se reuniram com Vital do Rêgo.
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Em publicação nas redes sociais, o prefeito classificou o presidente do TCU como “um dos principais entusiastas da construção do Aeroporto de Barra do Corda”. Segundo Teles, Vital teria afirmado que o tribunal “atuará da melhor forma possível para que as obras sejam iniciadas e concluídas no menor tempo viável”, respeitados os trâmites da licitação.
A assessoria do TCU afirmou, ao portal Metrópoles, que as atividades de Vital do Rêgo na região consistem em arrendamento de pastos para engorda de gado e outras atividades agrícolas.
“O arrendamento rural é uma modalidade legal de uso e exploração temporária de imóvel rural pertencente a terceiro, mediante contrato entre o proprietário e o arrendatário”, afirmou a assessoria. “A própria regulamentação prevê expressamente a possibilidade de operações de crédito rural com arrendatários, não há qualquer irregularidade.”
O tribunal também negou que Vital tenha interferido com o governo federal para viabilizar a obra. “A decisão sobre a realização e o investimento na modernização do aeroporto cabe aos órgãos competentes, no âmbito de suas respectivas atribuições.”
Segundo o TCU, a existência de propriedades rurais na região não interfere no exercício das competências constitucionais do ministro. “Eventuais processos que envolvam o aeroporto ou matérias relacionadas serão apreciados de acordo com as normas que disciplinam a atuação dos ministros do Tribunal, inclusive as regras relativas a impedimento e suspeição, quando aplicáveis”, informou.
“Além disso, a atuação do ministro em processos do TCU é pautada por critérios técnicos e jurídicos, observadas as garantias de independência e imparcialidade previstas para o exercício da função”, acrescentou a corte.
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