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PF suspeita que fundador do Banco Master tentou influenciar voto de Toffoli em julgamento sobre precatórios

PF suspeita que fundador do Banco Master tentou influenciar voto de Toffoli em julgamento sobre precatórios

Brasil Estado | 11/09/2026 às 08:15 | há 1 mês | 2 min de leitura

A Polícia Federal (PF) suspeita que Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, tentou influenciar o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), em um julgamento sobre precatórios do setor sucroalcooleiro. As informações constam em relatório da PF obtido pela revista Piauí.

O processo envolvia a destilaria Alcídia, do grupo Atvos, que cobrava da União indenização por prejuízos da década de 1980. A decisão poderia afetar uma carteira de mais de R$ 10 bilhões em precatórios no balanço do Master.

Toffoli costumava votar a favor das usinas em casos semelhantes. Dias antes do julgamento da Alcídia, porém, votou a favor da União em processo da Raízen. A mudança preocupou a diretoria do banco.

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Em mensagens analisadas pela PF, o então diretor jurídico André Kruschewsky perguntou a Vorcaro: “Vamos nos movimentar?”. O banqueiro respondeu que acompanhava o caso “mais do que imagina” e afirmou: “Toffoli virou o voto” e “tô tratando aqui”.

Em seguida, Kruschewsky ofereceu ajuda para retirar o processo da pauta. Para a PF, o diálogo indica que o diretor “aparenta ter acesso ao STF” para tentar interferir no caso.

Gabinete de Toffoli nega troca de voto

O ministro Kassio Nunes Marques pediu vista e adiou o julgamento. Na retomada, Toffoli votou a favor da Alcídia. A tese da usina venceu por 3 votos a 2. Um operador do banco avisou Vorcaro sobre o resultado, e o banqueiro respondeu com um emoji de aprovação.

A destilaria Alcídia, do grupo Atvos | Foto: reprodução/ Facebook

A PF afirmou que as mensagens anteriores ao julgamento têm “especial relevância”, mas ressaltou que os dados ainda não permitem conclusões definitivas e que o caso “demanda aprofundamento analítico”.

Em nota à imprensa, o gabinete de Toffoli negou qualquer “alteração de voto” e afirmou que o ministro manteve sua posição no caso Raízen. O relatório da PF, porém, afirma que ele voltou a votar contra a União no caso Alcídia.

Leia também: "Vorcaro soube quem era juiz e investigadores antes de ação, diz PF"

O documento também mostra que Vorcaro direcionou ao menos R$ 35 milhões ao fundo Arleen, que tinha participação no resort Tayayá, empreendimento ligado à família de Toffoli. A PF suspeita que o ministro possa ser o beneficiário final do fundo. No entanto, Toffoli nega ter recebido valores do banqueiro.

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