Peritos da Polícia Científica de São Paulo encontraram uma “lista com nomes e valores” em um imóvel apontado como escritório político do ex-vereador Milton Leite, em Santo Amaro, zona sul da capital, invadido na noite deste domingo, 20. Os criminosos levaram documentos e arquivos das câmeras de segurança, mas deixaram R$ 19 mil no local.
A invasão ocorreu dois dias depois de Leite se entregar à Polícia Civil, no âmbito da Operação Vectura Corrupta. Uma moradora percebeu a movimentação no portão do imóvel, na Rua General Bráulio Guimarães, e acionou a Polícia Militar.
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Segundo o relato da testemunha, um dos suspeitos deixou o imóvel a pé, enquanto outros estavam em um carro branco do modelo Hyundai HB20S. Um deles teria apressado os demais para que deixassem o endereço. Quando os policiais chegaram, os criminosos já haviam fugido e o escritório estava revirado.
Durante a perícia, foram localizados um celular, um chip, cerca de R$ 19 mil em espécie e documentos diversos. Entre os itens estavam quatro cartões bancários em nome de Milton Leite, além de cópias autenticadas do Registro Geral e da Carteira Nacional de Habilitação do ex-vereador. Os materiais serão analisados pelas autoridades.
Imóvel não era alvo da operação
O local não constava entre os endereços que tinham mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça no âmbito da Operação Vectura Corrupta. A ação foi deflagrada na última quinta-feira, 17, pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. Ao todo, 66 endereços foram alvo de buscas em 12 cidades.
O advogado Luiz Carlos Morais Caetano, que representa o escritório, afirmou que o imóvel funciona como sede da Sonda Projetos e Construção Ltda. Segundo ele, um dos sócios da empresa seria Milton Leite.
O caso foi registrado no 11º Distrito Policial, em Santo Amaro. A Polícia Civil investiga quantas pessoas participaram da invasão e a subtração dos documentos e do equipamento que armazenava as imagens das câmeras de segurança.
Prisão de Milton Leite
Milton Leite está preso na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. O ex-vereador e presidente estadual do União Brasil em São Paulo é um dos investigados na Operação Vectura Corrupta, que apura uma suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital no sistema de transporte público paulista.
Leite se entregou à Polícia Civil na sexta-feira 18, depois de ser alvo de um mandado de prisão temporária. Ele nega envolvimento com o esquema investigado.
Na manhã do último sábado, 19, o ex-vereador teve um mal-estar quando seria submetido à audiência de custódia. Segundo a defesa, ele sofreu um pico de pressão. Leite foi levado pelo Samu ao Hospital Luzia de Pinho Melo, onde passou por exames e permaneceu em observação antes de retornar à unidade prisional.
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