Uma perícia realizada pela Polícia Federal (PF) em agosto deste ano apontou fraudes financeiras em operações envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro, e o Banco de Brasília (BRB), instituição financeira controlada majoritariamente pelo governo do Distrito Federal.
De acordo com as investigações da PF, as fraudes teriam somado R$ 17 bilhões, a partir de uma produção massiva de documentos falsos.
A perícia da corporação integra os processos relacionados ao caso Master que tiveram o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na sexta-feira 11.
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De acordo com a PF, seis diretores do BRB participaram das decisões envolvendo títulos fraudados do Banco Master. São eles:
- Paulo Henrique Costa, diretor-presidente
- Cristiane Maria Lima Bukowitz, diretora de Gestão de Pessoas
- Dario Oswaldo Garcia Júnior, diretor de Fianças e Controladoria
- Luana de Andrade Ribeiro, diretora de Controle e Riscos
- Diogo Ilário de Araújo Oliveira, diretor de Atacado e Governo
- José Maria Correa Dias Junior, diretor de Tecnologia
O que diz a PF
A perícia da PF identificou apenas responsabilidade técnica pelas decisões, e não culpa ou dolo, o que cabe à Justiça decidir. O único dirigente do BRB que não teve responsabilidade sobre as operações, segundo a PF, foi o diretor jurídico do banco, Jacques Mauricio Ferreira Veloso.
Ainda segundo a PF, a diretoria do BRB teria aprovado a compra de carteiras do Master no valor de R$ 17,5 bilhões entre 2024 e 2025. Todo o processo foi marcado por práticas de manipulação e fraude, além de gestão temerária e falhas administrativas.
“A conclusão não decorre do simples insucesso econômico, da assunção de risco elevado, da existência de prejuízo ou de uma falha procedimental isolada”, diz a perícia da PF.
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“Decorre da utilização repetida de expedientes objetivamente aptos a distorcer, contornar, neutralizar ou regularizar retrospectivamente os mecanismos de informação, autorização e controle, preservando aparência formal de regularidade incompatível com a substância econômica e decisória das operações.”
A investigação apontou que a diretoria do BRB aprovou pelo menos 25 operações com o Master no período, das quais 21 ficaram abaixo do teto de R$ 750 milhões – valor que não precisava de aprovação pelo Conselho de Administração do banco.
O que diz o BRB
Em nota, o BRB afirma que a divulgação dos autos relacionados ao caso “é uma oportunidade para todos conhecerem o que aconteceu com a instituição, vítima de atos criminosos, e as medidas adotadas pela nova gestão”.
“A atual administração do banco promoveu a renovação integral de sua diretoria executiva e adotou medidas de fortalecimento dos controles internos e da governança, incluindo a contratação do escritório Machado e Meyer com suporte técnico da Kroll para realização de auditoria forense independente para apuração dos fatos relacionados às operações investigadas”, diz o comunicado.
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O BRB informa ainda que "os achados da auditoria foram encaminhados às autoridades competentes, incluindo Polícia Federal, Ministério Público Federal, Banco Central, CVM e instâncias do Poder Judiciário, para as providências cabíveis”.
“O BRB, por meio de sua atual gestão, reforça que os ex-dirigentes não devem ser confundidos com a instituição. Nesse sentido, além da auditoria, vem adotando medidas administrativas, extrajudiciais e judiciais para resguardar o banco e buscar a responsabilização de envolvidos, sempre em colaboração com os órgãos de fiscalização e controle”, diz o banco.
Por fim, o BRB afirma que “seguirá adotando todas as medidas cabíveis para a proteção de seu patrimônio, o ressarcimento de eventuais prejuízos e o aprimoramento contínuo de sua estrutura de governança e controles”.
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