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Pedro Henrique Alves: ‘Janones e Janja esqueceram que o eleitor também usa o Google’

Pedro Henrique Alves: ‘Janones e Janja esqueceram que o eleitor também usa o Google’

Brasil Estado | 10/10/2026 às 08:30 | há 4 dias | 5 min de leitura

Quase uma semana depois do primeiro turno, conseguimos de maneira adequada avaliar o que funcionou e o que não funcionou nas campanhas de Flávio Bolsonaro e de Lula. Podemos dizer, por exemplo, que Flávio não foi capaz fazer com que Caiado e Zema se juntassem a ele, já no primeiro turno, numa frente unida da direita. Há pelo menos quatro semanas era mais do que óbvio que nenhuma terceira via conseguiria chegar a sequer 5% dos votos válidos. A soma de votos de Caiado e Zema poderia ter feito a eleição acabar já no primeiro turno. A falta de diálogo ou de poder de convencimento do candidato do PL o atrapalhou diretamente nesse aspecto.

Mas Flávio e seus estrategistas, por outra via, foram muito eficazes em explorar as ações ditatoriais do Supremo para trazer os eleitores independentes para o seu canto da urna. Conseguiram estabelecer de maneira praticamente definitiva na mente popular — principalmente depois da bizarrice que levou ao cancelamento do debate da Globo — que Moraes, Dino e Mendes são os capangas togados de Lula; que a maioria dos ministros do STF utiliza a máquina judicial para favorecer o petista. E mais, conseguiram com boa margem de convencimento definir que Lula é o próprio sistema, o mesmo sistema que afunda o país em dívidas e demagogias sociais. Tais acertos discursivos levaram, a reboque, à eleição de maiorias conservadoras no Senado e na Câmara dos Deputados, além de governadores à direita em inúmeros Estados-chave.

Por outro lado, é realmente difícil encontrar algo que Lula tenha acertado em sua campanha. Com um olhar de fora, na verdade, só consigo concluir que foi uma campanha completamente desastrosa. Ele não conseguiu, não quis ou simplesmente não pôde se desvincular da ala necrosada do STF. Não conseguiu estabelecer cabos eleitorais nas principais regiões de densidade eleitoral do país; não se empenhou o suficiente para eleger uma base mínima de representatividade nas casas legislativas e governos estaduais; e, por fim, apostou no modelo populista e ultrapassado de suas campanhas dos anos 1990.

+ Entenda como funciona a política brasileira no guia de Oeste

Fiou-se na mágica da reinterpretação estatística de seus fracassos, com as já tão batidas promessas de melhoria da vida econômica do país por meio de aumentos de última hora do Bolsa Família, e, é claro, confiou nas interferências amigas dos parças togados. Lula teve um prévio sucesso quando mensagens vazadas colocaram Flávio e Vorcaro como amigos próximos, com o banqueiro sendo um dos financiadores do filme do pai Jair; no entanto, com o que a revista Veja revelou ontem, a narrativa de paridade moral entre Moraes e Flávio — que já não tinha colado —, foi de vez para o vinagre.

https://www.youtube.com/watch?v=CFOzXtrLNjE

Janones, Janja e terrorismo de desinformação

Assim, o que restou para Lula no segundo turno foi o já esperado terrorismo de desinformação e diarreia de populismo. Isto é, no Japão Flávio já se tornou o cruzamento de Hitler com Mussolini. E, é evidente, Flávio também acabará com o Bolsa Família, matará mulheres, negros e gays, além de, certamente, estar preparando alguma bomba atômica para dizimar a Amazônia. E “extra, extra: Lula zera impostos federais sobre o combustível”, gerando assim uma dívida bruta para a União de 2,8 bilhões de reais por mês. Adivinha quem vai pagar? Vá agora na frente do espelho e aponte para o trouxa que aparecer nele. 

É esse combo de absurdidades e mentiras hemorrágicas o que restou para os desesperados lulistas. No entanto, na era da informação acessível e de dados facilmente checáveis, o eleitorado ainda tendente a mudar de lado é o de perfil mais crítico e menos tendente à adesão cega a discursos apocalípticos. Esse perfil de eleitorado tende a se afastar de mentiras obviamente populistas que fedem a desespero eleitoreiro. Esta minha leitura está ancorada no mesmo fenômeno que fez Flávio crescer na reta final do primeiro turno: a interferência judicial para beneficiar Lula no debate, mais a retórica mentirosa que ele tentou disseminar sobre o falso projeto de tirar de Nossa Senhora o título de padroeira do Brasil, tais ações fizeram com que esse eleitorado flutuante e crítico tendesse a abraçar Flávio.

Em resumo, as mentiras conclamadas por Janones e Janja, e as medidas populistas desesperadas de Lula, no final, tenderão a coroar a campanha do conservador, e não afundá-la. Na era do ChatGPT, é fácil consultar se um presidente tem ou não o poder para acabar com o assistencialismo do Bolsa Família numa canetada só. É fácil encontrar números sobre o feminicídio e as queimadas nos últimos quatro anos; é fácil saber, por exemplo, qual partido foi contra a redução da maioridade penal, a castração química de abusadores e o endurecimento das penas para crimes hediondos.

https://www.youtube.com/watch?v=EhNRY91WpYc

Num mundo amplamente informatizado, nem mesmo a tia Neusa do sertão da Paraíba e o Nelson, operário da GM de São José dos Campos (SP), estão imunes às redes sociais e aos seus muitos posts diários mostrando as mentiras e os fracassos do governo Lula. Até mesmo o Chico, dono do bar em Feira de Santana (BA), acessa o Gemini e descobre em menos de um minuto que governo estava envolvido no desvio de sua aposentadoria. E, para total agonia vermelha, parece que nem mesmo o Tribunal Superior Eleitoral, desta vez, está muito a fim de censurar tais verdades incômodas como fez em 2022.

Leia também: "Desespero eleitoral", reportagem de capa da Edição 342 da Revista Oeste, por Yasmin Alencar

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