Na noite desta quarta-feira, 26, o cinema do Mag Shopping, em João Pessoa (PB), recebeu a pré-estreia do média-metragem O Trem do Destino. Rodado em Cabaceiras, na Paraíba, com Rita Guedes e Humberto Martins, o filme foi dirigido por Thelmo Maia e nasceu de Eu venho lá do sertão, livro de memórias de Marcelo Queiroga, ex-ministro da Saúde do governo Bolsonaro e hoje candidato ao Senado pela Paraíba.
Na trama, uma jornalista internacional volta ao sertão e, atingida por um raio, perde a memória sobre a pandemia. Ela só reaprende o que foi a crise sanitária ao ler o livro de Queiroga, e a pandemia chega à tela contada em cordel. "Eu nunca vi a pandemia sendo contada em cordel", disse Queiroga a Oeste. "Por isso resolvi contar a pandemia em cordel por meio do filme."
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O ex-ministro quer que o público olhe a crise por outro ângulo, que as pessoas "deixem de analisar a pandemia pelo prisma político e passem a enxergá-la pelo lado das pessoas que sofreram". À frente da Saúde entre 2021 e 2023, ele sustenta que nenhum governo teria escapado do caos. "Independente do governo que estivesse ali, ia enfrentar as mesmas dificuldades", diz. E nega que o lançamento em ano eleitoral tenha segundas intenções: "Não estou fazendo isso com objetivo político, eleitoral."
Queiroga não esconde que a protagonista o espelha. Cardiologista, passou anos em congressos no exterior antes de assumir o ministério, e diz que a pandemia o trouxe de volta às origens e ao sertão. "A personagem Fátima está representando a mim mesmo", afirma.
Montar o elenco foi a parte mais difícil, já que vários artistas recusaram o convite pela associação de seu nome a Bolsonaro, conta o ex-ministro. "Tivemos várias negativas", diz, sem citar nomes. Rita Guedes topou mesmo tendo criticado a política cultural do antigo governo, por se identificar com a história.
Ao ser interpelado sobre a previsão de concorrer em festivais de cinema, o diretor Thelmo Maia não poupou as mostras brasileiras. "A cultura não está muito do lado direito", disse. Na sua avaliação, uma obra ligada ao nome de um político de direita tende a ser rechaçada, porque os festivais do país não separam arte de militância política. Por isso, disputar eventos como o Festival de Gramado seria perda de tempo. "A gente já sabe o resultado", enfatizou. A produção aposta, então, nos festivais internacionais.
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