quarta-feira, 14 de outubro de 2026 Transmissão 24h
INÍCIO
Nove em cada 10 municípios brasileiros já sofreram com desastres hídricos, aponta estudo

Nove em cada 10 municípios brasileiros já sofreram com desastres hídricos, aponta estudo

Brasil Estado | 17/07/2026 às 03:00 | há 2 meses | 3 min de leitura

O clima extremo marcou quase todas as cidades brasileiras. De acordo com um estudo publicado na Environmental Research Letters, mais de 91% dos 5.569 municípios do país mais o DF experimentaram pelo menos um desastre relacionado a inundações, deslizamentos de terra, tempestades e/ou secas nos últimos 35 anos.

A pesquisa foi feita por especialistas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), da USP e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a partir da análise de quase 60 mil registros de desastres hídricos no país entre 1991 e 2024. Ao todo, esses eventos causaram quase 5 mil mortes e custaram cerca de US$ 123 bilhões (R$ 630 bilhões) à economia brasileira.

A pesquisa dividiu os registros de desastres em quatro categorias: inundações, tempestades, secas e deslizamento de terras. As inundações foram o desastre mais recorrente, com 45% dos registros, 16% das mortes e 32% das perdas econômicas. Já as secas, apesar de representarem apenas 6% dos registros de desastre, concentraram a maior parcela de mortes no período, com 35%.

O Nordeste tem o maior número de municípios com registros de eventos extremos (1.765), seguido por Sudeste (1.405), Sul (1.152), Norte (433) e Centro-Oeste (342). O Sudeste registrou o maior número de mortes por enchentes, enquanto o Nordeste sofreu o maior prejuízo econômico por conta das secas prolongadas. Já o Sul teve o maior número de inundações e mortes por tempestades.

Os impactos também variam de região para região. Nos óbitos, por exemplo, o Sudeste concentrou o maior número de mortes relacionadas a inundações, alagamentos, enxurradas e deslizamentos. O Sul teve a maior parte de suas mortes relacionadas a tempestades, e o Nordeste, a secas.

Muitos dos municípios experimentaram diferentes tipos de eventos extremos no período: 1.814 cidades enfrentaram três dos quatro tipos analisados, e outras 270 registraram todos os tipos.

A cidade de Nova Friburgo (RJ) teve o maior número de mortes por inundações (432); Petrópolis (RJ) liderou os óbitos por deslizamento (108) e tempestades (327); e Milagres (BA) liderou os óbitos pela seca (64).

Já Rio do Sul (SC) concentrou o maior prejuízo econômico por inundações (cerca de R$ 11,4 milhões); e Maceió (AL) registrou o maior prejuízo por deslizamentos (cerca de R$ 14,4 milhões).

O levantamento inclui muitos dos eventos extremos mais recentes que assolaram o Brasil, como as chuvas de fevereiro de 2023 em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, e as tempestades que deixaram boa parte do Rio Grande do Sul debaixo d’água em maio de 2024.

Os autores do estudo ressaltaram que, além do clima extremo, a falta de preparo e prevenção também interfere nos impactos desses eventos. “Há exceções que os modelos climáticos não conseguem prever, mas, para a maioria dos eventos, órgãos nacionais como o Cemaden emitem alertas e o poder público é informado do que pode vir a acontecer. O problema é a negligência, a falta de estrutura e até ausência de atuação”, afirma Elton Vicente Escobar Silva, pesquisador do Cemaden e primeiro autor do estudo, à Agência FAPESP.

O estudo também foi destacado pela CNN Brasil e O Globo.

📰 Leia a reportagem completa
Este conteúdo é originalmente de climainfo.org. Para a reportagem completa, acesse:
https://climainfo.org.br/2026/07/16/nove-em-cada-10-municipios-brasileiros-ja-sofreram-com-desastres-hidricos/

Fonte: climainfo.org · Por Célia Mello

Compartilhar: WhatsApp Twitter

Leia também