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Brasil Estado | 17/09/2026 às 20:15 | há 3 semanas | 4 min de leitura

Deivid Eric da Conceição de Lima, estudante de Direito que participou das agressões contra Diego Costa da Silva Araújo na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é réu em um processo por estupro de vulnerável na Justiça do Rio de Janeiro.

Documento obtido por Oeste mostra que o processo tramita na 1ª Vara Criminal de São João de Meriti, na Baixada Fluminense. A folha de antecedentes criminais de Deivid registra um inquérito aberto em 2020 e aponta como capitulação o artigo 217-A do Código Penal, que trata do crime de estupro de vulnerável. O registro não indica condenação.

Deivid é o estudante que, em 25 de agosto, entrou na sala onde Diego assistia a uma aula no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) e o confrontou. Na ocasião, Diego usava uma camiseta da banda britânica Death in June e um broche com uma suástica riscada.

Conforme depoimentos prestados à Polícia Civil do Estado, Deivid deu voz de prisão ao colega. Depois que Diego deixou a sala, vídeos registraram uma sequência de agressões dentro do prédio. As imagens mostram Deivid entre os participantes do espancamento.

Diego, de 27 anos, foi cercado por estudantes e atingido com socos e chutes. Em uma das gravações, aproximadamente dez pessoas participam do ataque durante pelo menos 30 segundos. As agressões prosseguem enquanto a vítima desce a escadaria do instituto.


O que diz o agressor

Deivid afirma que foi agredido primeiro. Alega também que Diego puxou seu cabelo, chamou-o de “macaco” e o ameaçou de morte. O estudante de Direito acusa ainda o colega de injúria racial. Diego nega as acusações. Ele afirma que tentou explicar o significado da camiseta e do broche e que seus movimentos ocorreram enquanto procurava se defender das agressões.

Depoimentos posteriores de vigilantes do IFCS deram sustentação à versão apresentada por Diego. Dois dos três seguranças ouvidos pela Polícia Civil disseram não ter visto o estudante xingar nem ofender outros alunos durante a confusão.

Segundo os relatos, Diego repetia que não era nazista e tentava se proteger depois de ser abordado. Um dos vigilantes afirmou que a vítima manteve postura defensiva e não atacou outras pessoas enquanto esteve sob sua observação.

A professora Sabrina Moehlecke, que dava a aula interrompida pelo grupo, também prestou depoimento. Ela afirmou que estudantes entraram na sala à procura de alguém que estaria fazendo apologia do nazismo, mas disse que não havia percebido nenhuma manifestação desse tipo por parte de Diego.

O que diz a vítma

Diego negou ter vínculo com o nazismo. Marxista declarado, afirmou que usava o broche com a suástica riscada em sinal de oposição à ideologia. Também disse que a iconografia estampada na camiseta da Death in June tinha caráter de provocação e subversão de símbolos autoritários.

A estampa da camisa continha uma caveira semelhante à Totenkopf. O símbolo foi utilizado por forças militares em diferentes períodos e posteriormente adotado por unidades da SS nazista | Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

A UFRJ abriu uma sindicância dois dias depois do ataque. Portaria de 27 de agosto instituiu uma comissão presidida pelo professor Pedro Paulo Gastalho de Bicalho para “apurar os fatos e as circunstâncias da ocorrência”. Também integram o grupo Aline Lopes Caldeira, Ronald Vizzoni Garcia e Gustavo Henrique Damasceno dos Santos.

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Paralelamente, professores e técnicos da universidade divulgaram um manifesto que classificou Diego como “neonazista” e descreveu a reação dos estudantes como “autodefesa”. O documento afirma que a vítima teria atuado como um “agente provocador” e argumenta que o uso da camiseta e do broche configurou apologia do nazismo.

O manifesto também pede punições administrativas e criminais contra Diego. Ao mesmo tempo em que classifica a reação dos estudantes como “autodefesa”, o texto afirma rejeitar o “justiçamento”.

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O Palácio Universitário da Praia Vermelha é um dos prédios símbolo da UFRJ | Foto: Fábio Caffé/SGCOM/UFRJ

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